Um Grito de Terror (Scream, Pretty Peggy, 1973)


Telefilmesquecidos #2

"Um Grito de Terror"
Peggy (Sian Barbara Allen) é uma ajuizada estudante universitária e aspirante a artista plástica. Divide apartamento com mais quatro amigas e tem que se virar para conciliar os estudos com as despesas. Sua chance de conseguir uns trocados surge quando ela se candidata a uma vaga como cuidadora de uma mansão afastada. É lá que moram Mrs. Elliott (Bette Davis) e Jeffrey (Ted Bessell), seu filho, um talentoso escultor. A velha Elliott, sempre com cara de poucos amigos, não esconde seu incômodo com a presença de Peggy. O anúncio de emprego foi, na verdade, colocado por Jeffrey, contra a vontade da mãe. A governanta anterior havia sumido misteriosamente sem deixar rastros. Mas sabemos, como é mostrado no comecinho do filme, que ela foi morta. Tudo que Peggy precisa fazer é manter a casa arrumada, por alto. Nem precisa cozinhar. Moleza.



Mas mãe e filho têm um comportamento um tanto quanto excêntrico. Ambos são reclusos. A velha é alcoólatra e bebe escondido. O filho, apesar de simpático, é meio tenso e passa o tempo todo trabalhando em suas esculturas. Mencionam sempre Jennifer, a filha que foi embora de casa há alguns anos para ir morar na Europa. Mas não gostam de entrar em detalhes. Em frente à casa, há uma garagem, sobre a qual existe uma edícula. Embora sempre solícita e gentil, Peggy está terminantemente proibida de limpar ou se aproximar do misterioso quarto sobre a garagem.


A jovem começa a suspeitar quando George Thornton (Charles Drake) passa a segui-la, fazendo perguntas sobre sua filha, que havia ocupado a função de Peggy, mas sumira sem dar explicações. Mais estranho ainda: Peggy descobre que a irmã de Jeffrey, a tal Jennifer que estava supostamente na Europa, na verdade é mentalmente doente e vive na edícula acima da garagem. Desconsiderando os avisos de Mrs. Elliot e seu filho, Peggy está determinada a se aproximar da tal moça. Mas vai acabar se deparando com uma tenebrosa revelação.



Gordon Hessler, além de prolífico diretor de filmes para a TV e episódios de séries, era também um tarimbado diretor de longas de mistério e terror como O Ataúde do Morto-Vivo (The Oblong Box, 1969), Grite, Grite Outra Vez (Scream and Scream Again, 1970), Os Crimes Hediondos da Rua Morgue (Murders in the Rue Morgue, 1971) e O Testamento de Medusa (Medusa, 1973), entre outros.



Um Grito de Terror foi ao ar pela NBC (National Broadcasting Company) em 24 de novembro de 1973. Aqui no Brasil, foi bastante reprisado nos anos 1970. Trata-se de um modesto telefilme, com uma história costurada por vários clichês de mistério e terror típicos de sua época. Mas vale pela participação de Bette Davis, cujo papel, apesar de pequeno e meio apático, confere certo clima ao filme.

Logomarca da NBC, na época
Foi um dos primeiros da safra de telefilmes que Bette faria ao longo da década de 1970, período em que sua carreira no cinema estava em baixa. "Em última análise, um bom filme não pode ser prejudicado e nem um filme ruim pode ser favorecido só pelo tamanho da tela", observou a atriz em seu livro This 'n That - An Autobiography (1987), escrito com a ajuda de Michael Herskowitz. "Em 1973, participei de um filme chamado Scream, Pretty Peggy. O filme tinha, de fato, uma Peggy, mas nenhum grito [scream] — exceto pelos meus próprios gritos silenciosos."





Férias Mortais (Home for the Holidays, 1972)


Telefilmesquecidos #1

"Férias Mortais"
Véspera de Natal. Em meio à chuva incessante, relâmpagos, raios e trovoadas cortam o céu. Benjamin Morgan (Walter Brennan), o patriarca de uma família, decide reunir suas quatro filhas, afastadas há muito tempo, em sua idílica mansão. Alex (Eleanor Parker), Joanna (Jill Haworth), Frederica (Jessica Walter) e a caçula Christine (Sally Field) reencontram-se na casa do pai, ainda que a contragosto, para aquele fatídico Natal. 

O convite, na verdade, é uma tentativa de Benjamin de reaproximar-se de sua família e reparar os erros do passado. Mas as irmãs não se mostram muito entusiasmadas com a ideia. O motivo? Elas culpam o pai pelo suicídio da mãe. Antigos dramas e ressentimentos virão à tona, claro.



Mas o pai está morrendo. A filha mais velha, Alex, encontrou um bilhete no qual o velho alega estar sendo envenenado por sua atual esposa, Elizabeth (Julie Harris). A notícia cai como uma bomba entre as irmãs. Por isso o pai instrui as filhas a “se livrarem” de Elizabeth (cujo primeiro marido morrera envenenado). Tem início o mistério. Assim que as irmãs começam a tentar processar as desconcertantes informações, um assassino usando capa de chuva e empunhando um ancinho começa a aterrorizar a mansão e a fazer vítimas.


Esta foi mais uma produção de Aaron Spelling e Leonard Goldberg para o popular Movie of the Week, da rede ABC (American Broadcasting Company). De 1969 a 1975, a emissora exibia semanalmente um filme feito exclusivamente para o canal, em geral com duração entre 70 e 80 minutos. Férias Mortais foi ao ar em 28 de novembro de 1972, dirigido por John Llewellyn Moxey, guru dos telefilmes de suspense e terror. O roteiro é de Joseph Stefano (famoso por ter roteirizado também Psicose). Moxey construiu uma prolífica carreira de diretor de thrillers para a TV. Aqui no Brasil, o filme foi muito reprisado nas madrugadas da Globo e, depois, em outros canais.


A década de 1970 foi o período de ouro dos filmes feitos para a TV nos EUA. O fenômeno, encabeçado justamente pelo Movie of the Week da ABC, rendeu clássicos cujo sucesso foi além das telas de televisão. Vários se tornaram mundialmente famosos como Encurralado (Duel, 1971), de Steven Spielberg, Glória e Derrota (Brian's Song, 1971), de Buzz Kulik, Criaturas da Noite (Don’t Be Afraid of the Dark, 1973) de John Newland, e Trilogia de Terror (Trilogy of Terror, 1975), de Dan Curtis, só para citar alguns.



Férias Mortais tem o tipo de gancho que prende o telespectador logo no começo. Obviamente o público sabe que o assassino está ali, mas fica esperando a reviravolta que irá revelá-lo. No entanto, nem só de clichês o filme é feito. A atmosfera é interessante e convidativa, apesar do ritmo um pouco mais lento — típico dos telefilmes da época — além de ser uma espécie de “slasher” (muito antes de o gênero se popularizar) em versão light. O elenco de prestígio garante atuações convincentes. Outro diferencial é que, apesar de ser Natal, não há neve e sim chuva. Devido às limitações de tempo na agenda de gravações e ao orçamento modesto, tornou-se inviável recriar neve. A escolha menos difícil para aumentar o clima de mistério foi a chuva, efeito obtido com a ajuda de uma mangueira de incêndio (por isso o céu aparece claro em algumas cenas externas, mesmo em meio à “chuva” constante).


Não confundir com a comédia de nome Home for the Holidays (no Brasil, Feriados em Família), de 1995 e dirigida por Jodie Foster.

O destino em suas mãos


“Ah, eu não devia ter me desfeito da minha coleção de... (complete aqui com o que você desejar)”. Pois é, este post é dedicado a essa sensação de ter curtido muito uma coisa por algum tempo e, depois de perder o interesse, se desfazer da tal coisa. Seja uma coleção de discos, de livros, revistas, postais, filmes etc. Sinto isso em relação à minha pequena coleção da Destino. Lá pelos menos 12 anos, cismei com assuntos esotéricos quando descobri a Destino na banca de revistas. Passei a comprá-la mensalmente, sempre com grande empolgação. Isso durou uns dois anos, mais ou menos.



Ficava fascinado com algumas matérias. Brincava de runas, de I Ching, de fazer cálculos numerológicos, de decifrar significados ocultos de nomes e coisas assim. Até um altar para atrair gnomos cheguei a fazer no quintal de casa! E jurava que os elementais iam visitar meu humilde altar. Isso foi em 1991. Ah, a infância pré-internet… (Sim, sou dos que considera 12 anos infância, apesar de a meninada de 12 anos hoje em dia ter interesses bem mais ‘adultos’).

Uma das edições, em especial, eu carregava pra cima e pra baixo. Era a que trazia uma matéria sobre reencarnação e vidas passadas. Fiz os tais cálculos que a revista ensinava e descobri que eu havia sido uma lavadeira no Irã, lá pelo século 5 d.C. (então ainda era Pérsia). Ou seja: provavelmente eu lavava tapetes persas em uma de minhas vida passadas.

A "famosa" edição da qual eu não me desgrudava, sobre reencarnação

Lançada pela editora Globo em 1989, a Destino era voltada para assuntos místicos e esotéricos. Era uma espécie de meio-termo entre a Planeta (da editora Três), mais profunda e apurada, e outras mais popularescas como as editadas pelo astrólogo João Bidu. A Destino trazia tanto os horóscopos e previsões mensais quanto matérias sobre assuntos como religião, magia, ocultismo e ufologia, entre outros afins. Na verdade, a revista acompanhou a onda esotérica que ganhou força no final da década de 1980 e começo da de 1990. E as matérias da Destino abordavam justamente isso: gnomos e elementais, numerologia, tarô, terapias alternativas, cristais, feng shui, bruxas e magos, quiromancia, mistérios universais e coisas do gênero, além de entrevistas com artistas ou pessoas ligadas ao esoterismo, dicas de livros, filmes etc.



A revista também lançava, frequentemente, edições especiais, separadamente, sobre temas específicos. O comercial da revista, na rede Globo, nos anos 1990, era narrado por Zora Yonara, conhecida astróloga brasileira que havia se popularizado na TV na década de 1980. Destino circulou até 1997, quando deixou de ser publicada. 

Edições especiais


Comercial de TV da Destino
Infelizmente, por um desses rompantes de desapego que temos de vez em quando, acabei me desfazendo da coleção, logo depois de passar no vestibular. Julguei que não me interessaria mais por nada daquilo e joguei tudo fora. Eu devia ter umas 20 revistas Destino. Creio que me influenciei pelo advento da internet, quando tudo passou a ficar ao alcance de um clique do mouse, e não vi sentido em guardar as revistas. Fui precipitado. As matérias da Destino podiam não ser muito profundas, mas serviam para divulgar temas, práticas, livros e escritores sobre os quais dificilmente se ouvia falar em outras revistas. Era bem escrita e despertava o interesse por temas nos quais quem quisesse, depois, poderia se aprofundar. Saudade da época em que eu, ao folhear as páginas da Destino, imaginava ter “o destino em minhas mãos”.


3 filmes sobre Aids pouco lembrados


Hoje em dia, filmes que abordam o ainda delicado tema da Aids são muito bem recebidos pelo público e aclamados pela crítica. Philadelphia (1993), de Jonathan Demme, e o recente The Normal Heart (2014), de Ryan Murphy, feito para a TV, são dois exemplos. Por mais que seja um tema menos tabu atualmente, houve uma época (não faz tanto tempo assim) em que a mídia procurava esquivar-se do assunto.


Alguns filmes, no entanto, foram ousados por terem sido os primeiros a abordar a questão diretamente. Até fins da década de 1980, por exemplo, o tema era evitado tanto pelas grandes emissoras de TV quanto pelo cinema. Como hoje é dia 1º de dezembro — Dia Mundial de Combate à Aids — separei três filmes muito bons sobre o assunto. Não são tão conhecidos quanto os dois que citei mais acima, mas são ótimas dicas para quem se interessa em ver o tema abordado com sensibilidade (e sem sensacionalismo) pelo cinema.


Aids: Aconteceu Comigo
(An Early Frost, 1985)
Direção: John Erman
Com: Gena Rowlands, Ben Gazzara, Aidan Quinn, Sylvia Sidney 



Ao descobrir-se portador do vírus HIV, Michael (Aidan Quinn), um jovem advogado, vê-se obrigado a revelar para a família que está infectado, que sua morte precoce é inevitável e, de quebra, que é homossexual. Fragilizado e assustado, Michael precisa de apoio, amor e compreensão de seus pais. Mas a noticia caiu como uma bomba na família e leva a vários conflitos. Extremamente bem produzido, foi o primeiro filme a retratar o tema da Aids. Na época, pouco se sabia sobre a doença e ainda não havia tratamento adequado. Feito para a TV americana, o longa foi ao ar no canal NBC em 11 de novembro de 1985. Gena Rowlands e Ben Gazzara estão impecáveis nos respectivos papéis de mãe e pai de Michael. Aidan Quinn está igualmente ótimo. Mesmo com toda a insegurança e o temor, o telefilme conseguiu passar uma mensagem de coragem em meio às incertezas e ao desconhecimento vigentes na época. A abordagem é bastante tocante, sem cair no dramalhão em momento algum (o que seria de se esperar de um telefilme típico). O título original em inglês, An Early Frost (que pode ser traduzido como "uma geada que vem mais cedo", ou "que chega antes da hora") é de uma das falas do filme, dita pela personagem avó de Michael. Ao olhar o canteiro de rosas no jardim da família, ela ressalta como as flores estão bonitas e espera que uma geada prematura ("early frost") não as mate antes da hora. Ao mesmo tempo, a família tem que lidar com outra geada prematura: a doença de Michael e a revelação de sua homossexualidade. O produtor Perry Lafferty revelou que a NBC deixou de faturar 500 mil dólares com publicidade, pois os anunciantes não queriam seus comerciais exibidos durante os intervalos do filme. Mesmo assim, An Early Frost ganhou quatro prêmios Emmy.


Meu Querido Companheiro
(Longtime Companion, 1990)
Direção: Norman René
Com: Stephen Caffrey, Patrick Cassidy, Brian Cousins, Mary-Louise Parker, Dermot Mulroney



Em 1981, 335 americanos morreram contaminados por uma doença então identificada como uma espécie de câncer que só atingia os homossexuais. O filme mostra os primeiros anos da epidemia da Aids e seu impacto na vida de um grupo de amigos gays e da irmã (heterossexual) de um deles. As primeiras notícias de jornal falando sobre o vírus, no começo da década de 1980, deixam a turma de amigos apreensivos. Não demora muito para que alguns deles apareçam gravemente doentes. As dúvidas, a maneira de encarar o futuro e a importância da solidariedade estão no centro da abordagem. Foi o primeiro filme a tratar do então polêmico tema da Aids e a receber um amplo lançamento nos cinemas dos EUA. O título original, Longtime Companion (algo como "Companheiro de longa data"), refere-se à única expressão que era permitida, à época, para que os jornais se referissem ao parceiro sobrevivente de um casal gay, quando um deles morria por causa do vírus HIV. O crítico de cinema Roger Ebert escreveu: "Meu Querido Companheiro é um filme sobre amizade e lealdade, sobre encontrar coragem para ser útil e humildade para ser ajudado."


A Última Festa
(It's My Party, 1996)
Direção: Randal Kleiser
Com: Eric Roberts, Gregory Harrison, Margaret Cho, Olivia Newton-John



Apesar do clima bem-humorado, a história é de cortar o coração. Nick Stark (Eric Roberts) é um bem-sucedido arquiteto que vive com seu companheiro Brandon (Gregory Harrison) há alguns anos. Diagnosticado com o vírus do HIV, Nick fica inseguro e teme morrer sozinho. Infelizmente, o relacionamento dois dois não resiste ao abalo e Brandon deixa Nick. Algum tempo depois, para piorar, Nick é diagnosticado com leucoencefalopatia multifocal progressiva — doença neurológica rara que causa degeneração mental gradativa em poucos meses. Decide, então, que não quer esperar pela morte dolorosa. Organiza uma festa de dois dias para a família e os amigos íntimos, ao fim da qual vai abreviar sua vida com dignidade, tomando uma dose letal de barbitúricos. O filme mostra a festa de despedida de Nick e seus amigos. Em meio a lembranças divertidas, piadas, episódios tristes e felizes, Brandon, que havia abandonado Nick, aparece, causando tensão e indignação nos amigos. Na verdade, Brandon sente-se culpado por ter deixado Nick no momento em que o companheiro mais precisava. No curto espaço de tempo da festa, todos precisam conformar-se com a decisão de Nick, por mais doloroso que seja. Mesmo recheado de piadas ácidas, o filme tem uma melancolia permanente, por confrontar família e amigos com o “suicídio consentido” de um ente querido por todos. A história foi baseada em fatos reais, sobre a morte do ex-companheiro do diretor Randal Kleiser na vida real, em 1992. Kleiser dirigiu os sucessos de bilheteria Grease - Nos Tempos da Brilhantina (Grease, 1978) e A Lagoa Azul (The Blue Lagoon, 1980).

Ruins de verdade


O crítico John Weber, do site Bad Movie Night, fez uma observação bastante pertinente: "Como Sigmund Freud disse, às vezes um charuto é apenas um charuto. Da mesma forma, às vezes um filme ruim é apenas um filme ruim, sem o devido valor kitsch capaz de torná-lo interessante em novos e diferentes níveis”.

Em 2014 fiz um post chamado Obscuridades do tempo das locadoras, falando sobre três filmes pouco conhecidos que ocupavam as prateleiras das videolocadoras e que hoje são totalmente esquecidos. Apesar disso, mereciam uma olhada, na minha opinião. Em 2015 fiz o post Quatro filmes para morrer antes de ver, sobre filmes realmente ruins que habitavam as videolocadoras. Agora resolvi fazer uma mistura dos dois posts, sobre filmes obscuros e ruins das locadoras.

Lembro-me bem de como foi frustrante assistir a esses filmes, pois eles são realmente fracos. De qualquer forma, como gosto de obscuridades, acabo sempre voltando ao tema. Nem todas essas esquisitices, entretanto, são dignas de figurarem na galeria dos “filmes ruins que são bons”. É o caso desses aqui, que — para mim — são ruins de verdade:


Alguém Atrás da Porta
(Quelqu'un derrière la porte / Someone Behind the Door, 1971)
Direção: Nicolas Gessner
Com: Charles Bronson, Anthony Perkins, Jill Ireland



Um neurocirurgião (Anthony Perkins) quer matar a esposa infiel (Jill Ireland) e seu amante (Henri Garcin). Com uma sorte impressionante, encontra um homem que, além de psicótico, está sofrendo de amnésia (Charles Bronson). O médico leva o tal homem para casa e começa a manipulá-lo, na tentativa de persuadi-lo a cometer o assassinato. Mas o estranho mostra-se vulnerável, confuso e emocionalmente fraco. Embora seja uma produção francesa, o trio de protagonistas é americano. Era para ser um thriller psicológico, mas o filme, de tão monótono, é altamente sonífero. Feito muito antes de Bronson se tornar popular por seus papéis de durão-vingador-que-sai-atirando-para-todos-os-lados, o filme é uma rara oportunidade de ver o ator tentando se virar com uma atuação mais “séria”. Mas seu personagem nem mesmo tem nome. Anthony Perkins, por sua vez, vive um personagem que lembra muito outros já representados por ele em filmes como Psicose (Psycho, 1960) e O Escândalo (Le Scandale / The Champagne Murders, 1967). Jill Ireland, na época esposa de Charles Bronson na vida real, faz o papel da esposa de Perkins. A impressão que se tem é que o filme não vai acabar nunca.


Entrando à Força
(Forced Entry / The Last Victim, 1975)
Direção: Jim Sotos
Com: Tanya Roberts, Ron Max, Nancy Allen 



Um mecânico esquisitão (Ron Max) com traumas de infância mal resolvidos tem também problemas com mulheres. Ao que tudo indica, ele não consegue se relacionar de forma emocional ou sexual com elas. Passa, então, a atacá-las violentamente para estuprá-las e depois as mata. Prostitutas, moças que pedem carona em beira de estrada, donas de casa... Todas podem se tornar vítimas. O foco do filme, no entanto, é mais na perversão sexual do maníaco que nas cenas sangrentas. Quando a personagem de Tanya Roberts se torna uma das clientes do mecânico maníaco, ele passa a vigiá-la e a faz refém em sua casa, aproveitando um momento em que a moça estava sozinha. O filme, narrado pelo personagem do estuprador, é bastante arrastado. A edição desleixada também não ajuda. Estreia (pobre) de Tanya Roberts no cinema. Alguns anos depois ela se tornaria uma das Panteras do seriado Charlie's Angels. Nancy Allen, na época ainda desconhecida, faz uma ponta como uma das vítimas. O filme, na verdade, é um remake “amenizado” de um outro, pornográfico, lançado no ano anterior, com o mesmo título (Forced Entry). Mas são dois filmes diferentes.


O Intruso
(Savage Intruder / Hollywood Horror House, 1970)
Direção: Donald Wolfe
Com: Miriam Hopkins, David Garfield, Gale Sondergaard 



Miriam Hopkins vive uma ex-estrela do cinema. Em sua mansão decadente, em Hollywood, ela não passa de uma lenda do passado. Uma velha excêntrica, alcoólatra, solitária e carente. Um jovem andarilho que mata velhas senhoras da região aparece na mansão da velha e passa a trabalhar como seu enfermeiro e acompanhante particular. O rapaz passa a exercer uma ascendência sobre a secretária da velha e a empregada da mansão. A premissa leva a crer que uma trama interessante de mistério vai se desenvolver. Mas o filme, extremamente cansativo e arrastado, perde o rumo e vira uma mistura de Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950) com O Que Terá Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962), mas em tom de pastiche. Mal executado, o longa é de matar de tédio. Viagens psicodélicas, delírios repetitivos e clichês do gênero são recorrentes na narrativa, bem ao estilo dos filmes do final da década de 1960. Último filme de Miriam Hopkins, coitada. Exibido na TV com o nome O Intruso Selvagem.


Caçada Sangrenta 
(Blood Song, 1982)
Direção: Alan J. Levi
Com: Donna Wilkes, Frankie Avalon, Antoinette Bower



Em 1955, um garotinho testemunha o pai matar a mãe e seu amante e suicidar-se em seguida. Em 1982, já adulto, o sujeito (vivido por Frankie Avalon) foge do manicômio onde vivia internado, rouba uma van e começa uma matança. Munido de sua flauta (presente de seu pai, na infância) ele sempre toca a mesma canção. Paralelamente, uma adolescente deficiente (Donna Wilkes) tem pesadelos premonitórios e recorrentes com o psicopata fugitivo. Ela acaba testemunhando um dos assassinatos do louco, que passa a persegui-la. Para piorar, a garota, no passado, havia recebido uma transfusão de sangue do psicopata. A história até parece interessante no começo, mas o filme demora muito a engrenar. E quando começa a andar, já estamos enjoados. Frankie Avalon teve dois hits em primeiro lugar das paradas no final dos anos 1950 (Venus e Why) e vendeu milhões de discos ao longo da década de 1960. Na mesma época, também estrelou uma série de filmes juvenis de praia, ao lado de Annette Funicello. Após uma sumida, reapareceu em uma participação em Grease (1978), em grande estilo. Quando fez Caçada Sangrenta, estava meio em baixa de novo. Exibido na TV com o nome Canção Mortal.

6 novelas obscuras dos anos 2000


Algumas novelas, apesar de não serem tão antigas, adquiriram uma reputação de "obscuras" por não terem conseguido sucesso de audiência. Seja por problemas com a história em si, que não engatou, com a escalação do elenco, ou com ambos. Fiz uma pequena lista com seis dessas novelas da década de 2000. Alguns casos, como Bang Bang (2005) e Negócio da China (2008), apesar de terem sido fracassos, ainda são bem lembradas e consideravelmente conhecidas. Por isso não entraram no meu Top 6 de novelas pouco marcantes dos anos 2000. Meu critério para esse julgamento foi pessoal. Considero obscuras aquelas novelas indistintas, que tiveram baixa audiência e que rapidamente foram esquecidas por nunca terem, de fato, decolado. De algumas praticamente nem temos lembrança, ou então só nos lembramos vagamente de algum detalhe genérico. 


Desejos de Mulher (2002)
De Euclydes Marinho


Dessa novela só me lembro de duas coisas: o frisson por Regina Duarte aparecer de cabelo curto e a trilha sonora internacional, que era ótima (mas que mal tocava na novela). Esperava-se que o embate entre as personagens de Glória Pires e Regina Duarte fosse repetir, ao menos um pouco, o sucesso de suas personagens em Vale Tudo (1988). Passou batido. Como explica Nilson Xavier em seu site Teledramaturgia: "A audiência correspondia ao mínimo que a emissora esperava para o horário na época. O elenco era dos melhores, os atores trabalharam com afinco. Mas a trama, confusa e cheia de idas e vindas, dificultou o entrosamento." 



Sabor da Paixão (2002-2003)
De Ana Maria Moretzsohn


Não me lembro de praticamente nada dessa novela, a não ser de Letícia Spiller. O título (que soa mexicano) é bem genérico, o que também não ajuda. Sabor da Paixão não fez jus ao título: era bem insossa, pelo pouco que me lembro. Na época, o que mais se falava é que aquela era a pior audiência da história das novelas das seis até então. "Faltou fôlego para uma trama tão inconsistente. E a história da Cinderela moderna, na Lapa idealizada do Projac, não convenceu", explica Nilson Xavier.



Agora é que São Elas (2003)
De Ricardo Linhares



Essa me esforcei para assistir, mas não cheguei a ficar muito empolgado. O que me animava era o trio dos protagonistas: Vera Fischer, Miguel Falabella e Marisa Orth. Mas nenhum deles estava muito convincente. Caco Antibes e Magda (do Sai de Baixo) ainda eram muito recentes. O CD nacional era ótimo, cheio de músicas que foram muito tocadas na época. E as canções eram bem usadas na novela. Mas não teve trilha internacional, devido à audiência não muito boa e ao encurtamento da novela.



Começar de Novo (2004-2005)
De Antônio Calmon e Elizabeth Jhin


Outra novela da qual não me lembro de praticamente nada, a não ser do casal de protagonistas — Marcos Paulo e Natália do Valle — e da história ser bem enfadonha. A trama não empolgou, principalmente depois de uma novela de tanto sucesso como sua antecessora, Da Cor do Pecado. "Fiz Começar de Novo para as mulheres maduras e acabei, com isso, abandonando os jovens, que são a minha praia", disse Antônio Calmon. (Fonte: site Teledramaturgia)



Eterna Magia (2007)
De Elizabeth Jhin



Comecei a assistir porque adoro novelas ambientadas nos anos 1940, mas não fui muito longe. A história não me empolgou. Só me lembro que Malu Mader era Eva Sullivan, uma pianista famosa, e Cássia Kiss, a vilã (cujo cabelo, inspirado em Meryl Streep no filme O Diabo Veste Prada, chamou atenção). A trama tinha "bruxas" boas e "bruxas" más. E a história se passava em uma colônia irlandesa fictícia, no interior de Minas.



Três Irmãs (2008-2009)
De Antônio Calmon



Cláudia Abreu, Giovanna Antonelli e Carolina Dieckmann eram as três irmãs do título. Mais uma dessas novelas genéricas do horário das 7, esquecível antes mesmo de chegar ao fim. A escalação do elenco sofreu vários problemas. Graziela Moretto deixou a novela quando soube que estava grávida. Luiz Gustavo e Otávio Augusto saíram sem maiores explicações. Marcello Novaes ficou afastado da novela por um tempo, após sofrer uma agressão física que o deixou bastante ferido. Solange Couto também teve que ser afastada da novela durante um tempo, depois de uma isquemia cerebral. (Fonte: site Teledramaturgia)