Excêntricas capas de LPs dos anos 50 e 60 - Parte 3


A terceira e  última parte das excêntricas capas dos anos 50 e 60, continuação da  parte 1 e da parte 2.


Duda e Seu Conjunto – Hoje Tem Baile (1957)




Nestor Campos e Seu Conjunto de Boite – Boite (1957)




Paul Pincus And His Orchestra – Music For Happy Occasions (1957)




Astor e Sua Orquestra – Um Brasileiro em Roma (1959)




Ernani e Seu Conjunto – Momentos Dançantes (1959)




Nozinho e Sua Orquestra – Tropicana (1959)



Scarambone e Seu Conjunto de Dança – Aquarela de Ritmos Vol.2 (1959)




Scarambone e Seu Conjunto – Órgao Dançante (1960)




Heraldo e Seu Conjunto – Dançando Com O Sucesso Vol.2 (1962)




Paulo Moura, Aurino, Maurilio e Nelsinho – Coquetel de Sucessos (1961)




Leo Jordan e Seu Conjunto – O Balanço Chegou - Vocal: Joab e Côro (1962)




Luis Reis e Seu Ritmo Contagiante – Samba de Balanço (1962)




Miranda e Conjunto – O Máximo no Gênero (1963)




Lelio e Seu Conjunto – Momentos de Alegria (1963)




Sonia Rosa – A Bossa Rosa de Sonia (1967)



Menos (em alguns casos) é mais


De vez em quando dou uma fugida dos temas usuais do blog e escrevo um post sobre comportamento. Não é a ideia principal aqui, mas às vezes não resisto. Desta vez o que me levou a mudar um pouco de assunto foi o frenesi causado esta semana, após a Apple anunciar seus novos modelos de telefone celular (o iPhone 6s e o iPhone 6s Plus).

Sei que a febre dos tempos atuais é, de fato, o smartphone, seja da Apple ou não. Uma verdadeira revolução nos hábitos de comportamento, em vários sentidos. Facilitou muita coisa, mas também debilitou outras tantas.

A obsessão das pessoas pelos smartphones é que me assusta um pouco. Por eu não ter saco para acompanhar as constantes mudanças da tecnologia na velocidade espantosa com que elas acontecem hoje em dia, acabo boiando muitas vezes. Mas é uma decisão totalmente consciente. Assumo minha falta de interesse.

Longe de mim fazer pregação contra o uso de smartphones e coisas do gênero. Até porque eu tenho um. Modelo antigo, é verdade, que ganhei, mas que me serve muito bem, obrigado. Reservo-me o direito de não estar acorrentado a essas constantes mudanças. O que a maioria das pessoas ignora é que existe uma parte da população que não se interessa em trocar de celular a cada seis meses e nem em ter o modelo mais hiper-ultra-mega-super-moderno.


Há dois anos guardei o recorte de um texto da Cora Rónai, publicado na coluna de Economia do jornal O Globo. Lembro que achei bem interessante. O título era "Eles não querem smartphone". Ela começava assim:

"O sonho de todo fabricante de celular é por o máximo de funções num mínimo de espaço. Mesmo os aparelhos mais simples são, hoje, pequenos canivetes suíços: acessam a internet, mandam torpedos, têm câmera, rádio, uma quantidade de aplicativos. Parece que todo mundo se esqueceu de que há uma parcela de consumidores que não querem mais dos seus telefones, mas menos, muito menos: são aqueles, justamente, que só querem falar."

Ela segue falando que todos têm um parente que ignora as principais funções do seu celular e não está nem aí para o sistema operacional. Outra grande verdade. Eu mesmo, com exceção da câmera e do famigerado whatsapp, não uso outra coisa no meu celular. Para uma pessoa como eu, um smartphone de última geração é um desperdício de dinheiro e de tecnologia. Tenho plena consciência de que faço parte de uma minoria. Paciência.

O que espero de um telefone celular é que ele faça e receba ligações. Simples assim. E falando nisso, os aparelhos mais simples aguentam quase uma semana sem precisar de ter a bateria recarregada, podem funcionar como lanterna e são bem mais resistentes a tombos, poeira, água... (É claro que isso não significa nada para os aficionados por tecnologia, também sei).

Em outra parte do texto, Cora fala:

"E há um contingente de velhinhos e velhinhas que ficariam realizados com celulares sem frescuras, simples de usar, cuja principal atração fossem números suficientemente grandes."

Nem precisa ser velhinho. Eu não sou e me sinto mais que satisfeito com um celular sem mil funções e aplicativos. E tenho alguns amigos, até mais jovens do que eu, que também não se ligam em celulares com um milhão de funções. Não por nenhuma filosofia de vida pretensiosa nem rebeldia contra o sistema. Nada disso. Apenas por não sentirem necessidade mesmo.

Houve um tempo em que celulares eram usados para fazer e receber ligações

Enrola e desenrola


"Se você escolher lutar, vire para a página 21.
Se escolher blefar, página 32 então."

"Se concordar com Simone, volta à página 4.
Se preferir o plano de Raoul, volte à 6."

"Se você tira fotos, tire na página 92.
Se recua para dentro do bosque, embrenhe-se na página 94."

São decisões aparentemente simples, mas que podem levar o rumo da história para os mais diversos caminhos. Alguns até catastróficos. Mas todos extremamente divertidos. Assim eram os gamebooks da série Enrola e Desenrola. A coleção, publicada no Brasil pela Ediouro (a mesma que publica as palavras cruzadas Coquetel), atravessou toda a década de 1980 e foi muito popular até meados dos anos 90.


Era um novo gênero de livros infanto-juvenis e um novo tipo de estrutura narrativa, que estimulava a imaginação dos jovens leitores e os instigava a querer ler mais e mais, já que eles tinham um certo controle das histórias. E como elas tinham dezenas de finais diferentes, lia-se o livro várias vezes para ver o que aconteceria se uma decisão tivesse sido tomada no lugar de outras.


Com a colaboração de tradutores gabaritados como Orígenes Lessa (um dos imortais da Academia Brasileira de Letras), a Ediouro começou a publicar a coleção Enrola e Desenrola no Brasil. A coleção original, Choose Your Own Adventure, americana, era publicada pela Bantam Books (hoje pertencente à Random House). Esses livros foram os precursores dos RPGs, mas com a diferença de não dependerem de outros participantes para o "jogo".



Cada livro tinha um tema principal: uma casa mal-assombrada, um passeio no deserto, espionagem de guerra, uma viagem espacial etc. As histórias variavam entre mistério, aventura e ficção científica. Seguindo a narrativa, o leitor se deparava constantemente com decisões que ele mesmo deveria tomar e, dessa forma, decidir qual o caminho a ser seguir. Uma divertida incursão na ficção interativa para a garotada.

O primeiro que comprei foi Sabotagem, mas meu favorito era Quem Matou Harold Taylor?, pois eu já era apaixonado por histórias de detetive desde a pré-adolescência. Ainda hoje a coleção é lembrada como uma das mais populares para crianças dos anos 80 e 90. Vendeu mais de 250 milhões de cópias entre 1979 e 1998. Era uma diversão acessível, empolgante e só dependia de uma coisa: vontade de ler. Com a atual profusão de apetrechos tecnológicos, esses livros hoje dificilmente empolgariam a meninada como empolgou minha geração. 



Edward Packard, autor que abriu a série com A Gruta do Tempo (The Cave of Time), escreveu vários outros títulos para a coleção (Nome de Código: Jonas, Quem Matou Harold Taylor?, A Casa Mal-Assombrada etc.). Em 2010, ele abriu uma nova empresa, a U-Ventures, lançando aplicativos no estilo dos livros Choose Your Own Adventure, para iPhone e iPad. Os aplicativos são baseados em alguns livros do próprio Packard. O primeiro título lançado foi Return to the Cave of Time, espécie de continuação da história que inaugurou a série impressa no começo dos anos 80. 


O adeus ao senhor do pânico


Reza a lenda que agosto é o "mês do desgosto", ou do azar. A verdade é que essa crença popular tornou-se uma superstição internacional. E foi justamente no último domingo de agosto que Wes Craven, diretor que tornou-se ícone dos filmes de terror, morreu.



Famoso por ter criado um estilo próprio dentro do gênero 'terror adolescente', ficou muito conhecido nos anos 80 por A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984), que teve várias continuações. Na década seguinte, com Pânico (Scream, 1996), resgatou o gosto do público pelos filmes de terror, numa época em que o gênero andava bem desgastado. Craven faleceu no último dia 30 de agosto, aos 76 anos, em Los Angeles, vítima de um tumor cerebral. Curiosamente, foi também em 30 de agosto (de 1972) que seu primeiro filme, Aniversário Macabro (The Last House on the Left), estreou.


Como muito já se falou e escreveu sobre seus longas mais famosos (os filmes de Freddy Krueger, por exemplo), tentei fugir das escolhas mais óbvias e fiz uma pequena lista com seis ótimos filmes do diretor. Alguns não são muito conhecidos do grande público, mas merecem ser vistos.

Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972)


Primeiro trabalho de Craven como cineasta. Ele mesmo escreveu o roteiro, dirigiu e editou. Duas adolescentes saem para comemorar o aniversário de uma delas em um show de rock. Mas são sequestradas por uma gangue de bandidos sádicos, que as torturam, estupram e matam. Algum tempo depois, um dos bandidos vai se esconder na casa de uma de suas vítimas. Os pais da moça, a medida em que descobrem o que realmente aconteceu à sua filha, começam a planejar uma vingança com requintes de crueldade contra seu assassino. Censurado em vários países, o filme, com ares de produção amadora, mantém sua aura de polêmica. Mas é arrastado e muitas vezes incômodo, apesar de seu valor histórico para o cinema de horror. A história foi inspirada em um filme - pasmem! - de Ingmar Bergman, A Fonte da Donzela (Jungfrukällan, 1960).


Verão do Medo (Summer of Fear / Stranger in Our House, 1978)


Filme para a TV, com Linda Blair como protagonista. E um dos meus favoritos. A vida da adolescente Rachel (Linda Blair) vira de ponta cabeça quando sua prima Julia (Lee Purcell) se muda para sua casa. Acontecimentos estranhos, assustadores e até sobrenaturais passam a perturbar a pacata vida de Rachel. Com o passar do tempo, ela começa a suspeitar que a prima pode estar envolvida com feitiçaria. Mas quem acreditaria nisso?


Benção Mortal (Deadly Blessing, 1981)


John Schmidt é filho de Isaiah (Ernest Borgnine), líder dos hititas - seita ao estilo Amish, porém mais rígida e conservadora. Ele abandonou o credo familiar para se casar com a forte e independente Martha (Maren Jensen). Mas John morre misteriosamente depois de um acidente com um trator. A viúva então passa a ser perseguida pelos tais hititas. Sozinha no vilarejo cheio de fanáticos, ela recebe a visita das amigas Lana (Sharon Stone em seu primeiro papel de protagonista) e Vicky (Susan Buckner). O ator Michael Berryman (o Pluto de Quadrilha de Sádicos) repete a parceria que já havia feito com Wes Craven. Curiosidade: em uma das cenas, a personagem de Susan Buckner está saindo do cinema, onde acabou de assistir Verão do Medo, filme também dirigido por Craven.

Sharon Stone em Benção Mortal

O filme dentro do filme: Verão do Medo aparece em Benção Mortal


Convite Para o Inferno (Invitation to Hell, 1984)


O engenheiro eletrônico Matt Winslow (Robert Urich) se muda com a simpática família para Silicon Valley, na Califórnia, para trabalhar em um projeto especial. Logo após a mudança, começam as pressões para que ingresse no badalado clube de campo local. Mas o tal clube serve, na verdade, como fachada para um culto demoníaco. Não só a família de Matt, mas toda a comunidade local está em perigo. Esse telefilme vale mais por uma curiosidade: a presença da atriz mirim Soleil Moon Frye (a Punky do seriado Punky - A Levada da Breca). A tentativa de juntar elementos de terror sobrenatural com ficção científica saiu meio confusa, mas a diversão é garantida.

Soleil Moon Frye em Convite Para o Inferno


Um Frio Corpo sem Alma (Chiller, 1985)


O rico executivo Miles (Michael Beck, par romântico de Olivia Newton-John em Xanadu) é portador de uma doença incurável. Quando ele morre, a mãe ordena que o filho seja criogenicamente congelado, na esperança de que ele possa voltar à vida no futuro, com a evolução da medicina. Dez anos depois ele é milagrosamente revivido, mas parece não ter mais alma. Frio e sem emoções, ele nutre um enorme apetite por fazer o mal. Feito para a TV.


A Maldição de Samantha (Deadly Friend, 1986) 


Após conseguir uma bolsa de estudos na universidade local, o jovem gênio Paul (Matthew Laborteaux) se muda com a mãe para uma pacata vizinhança no interior dos EUA. Com conhecimentos de robótica e inteligência artificial, Paul cria o robô BB, dotado de vontade própria e força física. BB se torna seu melhor - e único - amigo, até que Paul conhece a vizinha Samantha (Kristy Swanson). A moça mora com o pai bêbado e violento, que a espanca constantemente. Em uma das brigas, ele acaba matando a filha. Inconformado, Paul quer trazê-la de volta à vida. Para isso, implanta o cérebro eletrônico de BB no cérebro humano de Samantha. Mas o resultado não é o que Paul esperava: Samantha vira uma criatura descontrolada, capaz de trucidar quem a contraria. Impossível esquecer a exagerada cena da velha com a cabeça explodida por uma bola de basquete. É um filme divertido que merece ser visto. Um dos meus favoritos de Wes Craven.