4 filmes para morrer antes de ver


Além dos filmes ótimos e dos ruins, há aqueles que, de tão ruins, são ótimos. Mas existe uma categoria ruim ruim mesmo, daquele tipo que não diverte nem consegue prender a atenção. Pelo contrário: você fica torcendo para que termine logo. Ou então nem espera terminar, desiste no meio. Em alguns casos, até espera-se que a história vá caminhar para alguma reviravolta ou desfecho surpreendente. E de repente acaba tão sem sentido como quando começou. Filmes que não dizem a que vieram. É claro que gosto é algo subjetivo, para usar um clichê que se adequa bem ao tema "filme ruim".

E mesmo nesses filmes ruins, há algo que nos atrai (isto é, se você é como eu e gosta de esquisitices). Nem todos os filmes considerados "arte" são bons. Outros são execrados pela crítica, mas, com o passar do tempo, caem no gosto popular. Também não podemos esquecer daqueles que, apesar de mal feitos, viram cult (e, consequentemente, tornam-se imperdíveis).  

Mas os quatro filmes que escolhi para este post são, na minha opinião, realmente ruins e chatos. Antes de assisti-los, me despertaram curiosidade e criaram expectativa. Depois de vê-los, foram decepcionantes. Mas, por algum misterioso motivo, também foram marcantes em sua canhestrice.

Se alguém quiser concordar ou discordar, sinta-se à vontade!


Onde Acontece de Tudo (Redneck County / Poor Pretty Eddie, 1975) 


O carro de Liz (Leslie Uggams), uma cantora de jazz, quebra próximo a um hotelzinho de beira de estrada, no meio do nada. O obscuro estabelecimento é gerenciado por Bertha (Shelley Winters), uma ex-estrela de cinema decadente, velha e gorda, e seu amante mais jovem, Eddie (Michael Christian). Liz é mantida no hotel, onde sofre humilhações de todo tipo e é obrigada a satisfazer os desejos do pervertido e maníaco Eddie, enquanto lida com o ciúme furioso de Bertha. O casal é acobertado por outros conhecidos do local, que garantem o ciclo de impunidade. 

Liz (Leslie Uggams)
Eddie (Michael Christian) e Bertha (Shelley Winters)
O filme, de Richard Robinson, é quase todo bem escuro e os personagens, excêntricos, para dizer o mínimo. Shelley Winters, mesmo exagerada e caricata, é sempre maravilhosa. Michael Christian é um ator que não deu muito certo. Fez algum sucesso nos anos 60 ao integrar o elenco da novela americana Peyton Place, mas nunca foi muito além disso. Leslie Uggams é uma atriz de TV, também pouco conhecida. A primeira vez que vi esse filme foi em um fim de madrugada no SBT (a emissora sempre exibia esses filmes obscuros e esquisitos nas madrugadas dos anos 90) e, apesar de não ter gostado muito, o filme me atraiu inexplicavelmente. Na época, gravei e assisti algumas vezes. Revi recentemente e confirmei que realmente é um filme bem fraco. 

Promete muito, mas na prática, é arrastado e incômodo. Acho que chegou a ser lançado em vídeo no Brasil, na década de 1980, quando qualquer coisa era lançada e anunciada como 'sensacional', 'aterrorizante', 'chocante' e, depois de assistir, constatava-se que era puro sensacionalismo.


A Bruxa Que Veio do Mar (The Witch Who Came From The Sea, 1976)


Molly (Millie Perkins), uma mulher perturbada, é assombrada por lembranças dos abusos sexuais sofridos em sua infância. Já adulta, seu trauma desencadeia uma matança desenfreada de todos os homens que cruzam seu caminho. Millie Perkins, conhecida pelo filme O Diário de Anne Frank (The Diary of Anne Frank, 1959), encarna uma mulher realmente problemática e cheia de agressividade contida, que explode quando se vinga dos homens durante o ato sexual.

Molly (Millie Perkins)
A história se passa numa cidadezinha à beira-mar, mas nem adianta se empolgar com o título do filme (ou a arte trash da capa do VHS). Não há nenhuma "bruxa que veio do mar". A fita chegou a ser banido na Inglaterra por retratar, de forma crua, violência sexual e incesto. Mas, no geral, a história é pouco envolvente. 


O Triângulo do Diabo (The Bermuda Triangle, 1978)


Um pequeno barco fica à deriva no Triângulo das Bermudas. Coisas estranhas começam a acontecer com a tripulação e os passageiros. Feito no auge da febre de filmes sobre o Triângulo das Bermudas, este aqui não tem pé nem cabeça. As tais coisas estranhas que começam a acontecer no barco são tão desinteressantes quanto os personagens.

O diretor mexicano René Cardona Jr. fez vários filmes desse tipo, envolvendo desastres com navios, barcos, aviões, tubarões etc., bem ao gosto da época. Este aqui tinha tudo para ser interessante, mas é extremamente monótono, embora algumas partes até prendam a atenção. Mas acaba morrendo na praia (com o perdão do trocadilho). Lembro que assisti a esse filme na Bandeirantes (ou teria sido na Manchete?) quando era criança, e fiquei impressionado pela garotinha com a boneca bizarra. Ao assistir depois de adulto, achei tudo bem cansativo.


John Huston em cena do filme
O curioso é que o lendário diretor John Huston tem um dos papeis principais no filme. Por que ele se sujeitou a participar de um projeto tão obscuro é uma incógnita. Uma explicação plausível seria o fato de, na época, ele morar perto de Cozumel, ilha do Caribe mexicano onde o filme foi rodado. Talvez a ideia de ganhar uma graninha para descer até a praia e recitar alguns diálogos sem muito sentido não fosse tão ruim assim.


A Casa do Horror (Horror House on Highway 5, 1985)


O que falar desse filme de Richard Casey? Quando aluguei essa fita, lá nos idos da minha pré-adolescência, esperava algo na linha de Sexta-feira 13 ou outro desses filmes de psicopata dos anos 80. Mas é tão ruim que foi quase impossível assisti-lo até o final. Por isso resolvi reproduzir aqui a crítica que Rubens Ewald Filho fez no guia Vídeo News Filmes (Sigla Editora).É exatamente o que eu diria:
Concorrente forte à lista dos piores filmes de todos os tempos. É meio difícil até falar do que se trata a história. Os enquadramentos, os atores, a história, tudo é pavoroso. É difícil até fazer certo sentido. Há a procura de um cientista desaparecido que teria deixado dois filhos meio débeis mentais e que é procurado por algumas moças (ou morrem ou são feitas prisioneiras). Paralelamente, um louco com uma máscara com a cara de Nixon vai fazendo vítimas. Dever ser curtido como comédia, já que, às vezes, um filme péssimo pode ser muito mais divertido do que um razoável.