Meryl Streep: 3 vezes 'M' de megera


'Megera' no bom sentido, claro! Porque falar da versatilidade e do talento de Mery Streep é chover no molhado. Todos estão cansados de saber que ela é, sem dúvida, uma das maiores atrizes vivas (na minha opinião, a melhor) do nosso tempo. Seja em dramas pesados, comédias românticas ou humor negro rasgado, ela rouba a cena em todos os seus filmes. Não importa o tamanho do papel. Meryl cresce na tela.

Sempre discreta e simpática na vida real, não é dada a estrelismos nem afetações. Faz questão de ser tratada feito "gente como a gente", o que só a deixa ainda mais charmosa em meio a tantas celebridades efêmeras à caça de fama instantânea.

Mas não vou falar dos Oscars que Meryl levou por suas interpretações, nem dos maiores filmes de sua carreira. Preferi fazer um Top 3 com as megeras IRRESISTÍVEIS vividas por Meryl. Coincidentemente, todas as três com a mesma inicial da atriz: M.

1) Ela é o Diabo (She-Devil, 1989)
Mary Fisher

2) A Morte Lhe Cai Bem (Death Becomes Her, 1992)
Madeline Ashton

3) O Diabo Veste Prada (The Devil Wears Prada, 2006)
Miranda Priestly


Mary Fisher


A glamurosa escritora de romances Mary Fisher é a mulher que tem tudo: beleza, fama, dinheiro e uma mansão cinematográfica à beira mar. Mas como se não bastasse, ainda roubou o marido de Ruth, dona de casa feiosa e gorducha, mas dedicada à família. 


"Meus livros refletem minha própria experiência do ato do amor como algo sagrado e belo". (Mary Fisher)



Madeline Ashton



Madeline Ashton pode ser uma estrela em declínio, mas sua personalidade pode fazê-la levantar o mais alto dos voos. A atriz de obscuros filmes e peças quer tudo que não pode ter, principalmente os homens. Ela usa todo o charme que tem e eles se deslumbram. Mas o doce pássaro da juventude já voa para longe de Madeline.


"Maquiagem é INÚTIL! Não resolve mais! Você está me escutando? Você por acaso se importa? Você fica aí com essa sua pele de 22 anos de idade e seios duros feito rochas e ri de mim!" (Madeline Ashton)



Miranda Priestly


A famosa editora-chefe da maior revista de moda do mundo não tem tempo e nem disposição para ser contrariada. Sua opinião é a única que conta e que têm uma influência em escala global. Se seu voo é cancelado, por exemplo, ela leva para o lado pessoal e atribui isso a "algum problema absurdo com o clima". Também é conhecida como "a dama de ferro" da moda.


"Qual o motivo do meu café não estar aqui? Ela morreu ou algo assim?" (Miranda Priestly)



"Dama de Ferro da moda, eu?"

"Quando sou boa, sou ótima. Quando sou má, sou melhor ainda!"

"Brincadeirinha!"

O 'boogie' do milênio


Falta pouco. Em agosto, estreia na Globo a nova novela das seis, Boogie Oogie. Rui Vilhena, o autor moçambicano que também estreia na emissora, se mostra empolgado: “Queria fazer algo diferente. Os anos 1970 foram muito ricos, a influência continua até hoje na música, na moda. Percebi que, até então, não tinha havia uma novela que se passasse nessa época. Dancin’ Days foi gravada nos anos 1970, não era novela de época. E a minha intenção é que quando a pessoa sente para ver Boogie Oogie ela pense: ‘ok, a festa vai começar!’. A novela vai ser uma festa”, declarou  ao jornal Extra.


A própria logomarca da novela imita a do filme Boogie Nights (1997), do diretor Paul Thomas Anderson. O filme, por sua vez, tem o mesmo nome da música lançada pelo grupo Heatwave em 1977. Já a novela tem o nome do sucesso de 1978 da dupla A Taste of Honey.


Em 1979, capitalizando a febre das roller discos (discotecas onde se patinava e dançava sobre quatro rodas), Linda Blair estrelou Roller Boogie e deu mil piruetas. 


No mesmo ano, Gregg Diamond reinou nas pistas de dança  com seu grupo Bionic Boogie e o álbum Hot Butterfly - Bionic Boogie.


De fato, nos anos 70, tudo era 'boogie'. Na verdade, o boogie-woogie é um estilo de blues, caracterizado pelo uso sincopado da mão esquerda ao piano. Foi muito popular entre os negros norte-americanos nos anos 30 e anos 40, como explicou o blog Blues Everyday.


Enquanto o blues tradicional fala sobre tristezas e amarguras, o boogie woogie é muito mais alegre e dançante. Dentre as várias lendas que cercam o blues, diz-se que o boogie origina-se na tentativa do guitarrista em imitar a cadência de um trem em movimento. 

Em meados dos anos 70, o sentido do termo voltou às origens, durante a era disco, passando a significar "dançar no estilo discothèque". Tanto que uma profusão de canções com boogie no título foram lançadas. Algumas tonaram-se hits inconfundíveis da época, outras nem tanto. De qualquer forma, o boogie reinou naquela década. Uma das vertentes da própria disco music também chegou a ser apelidada de "boogie biônico".

Confira alguns boogie hits dos anos 70:



Boogie Woogie Bugle Boy - 1973 - Bette Midler



Rockin' Pneumonia-Boogie Woogie Flu - 1973 - Johnny Rivers



Jungle Boogie - 1974 - Kool & The Gang



Boogie On Reggae Woman - 1975 - Stevie Wonder



Get Up And Boogie - 1975 - Silver Convention



I Love To Boogie - 1976 - T-Rex



Boogie Fever - 1976 - The Sylvers



Boogie Nights - 1977 - Heatwave



I'm Your Boogie Man - 1977 - KC & the Sunshine Band



Boogie Shoes - 1977 - KC & The Sunshine Band



Boogie Child - 1977 - Bee Gees



Yes Sir, I Can Boogie - 1977 - Baccara 



Blame It On The Boogie - 1978 



Boogie Oogie Oogie - 1978 - A Taste of Honey



Boogie Woogie Dancin' Shoes - 1979 - Claudja Barry



Boogie Wonderland - 1979 - Earth, Wind & Fire (with the Emotions)

(Re)viva os anos 70


Já faz algum tempo que os anos 70 estão de volta. Insinuando-se na música, no cinema, na TV e na moda. Desde os anos 90 que vira e mexe os 70s ressurgem. E agora, mais do que nunca. O ABBA, ícone da década de 1970, completou 40 anos este ano e causou rebuliço na Europa, com a inuaguração do museu dedicado ao grupo. Aqui no Brasil, a TV está mais 70s do que nunca: a exibição de Dancin' Days no Canal Viva tem agitado as noites dos novos e antigos fãs da discoteca. A rede Cinemark exibiu recentemente Saturday Night Fever e Grease, para deleite do público. A Record também fez sua tentativa, com a novela Pecado Mortal, que se passou nos anos 70. E agora a Globo promete agitar o horário das 6 com Boogie Oogie, que estreia em agosto. Sem falar no remake de O Rebu, novela das 11h da noite que estreou ontem. Se você é como eu e acha que não existiu época melhor na história do que a década de 1970 (mesmo não tendo vivido nela!), radicalize e viva literalmente nos anos 70. Para isso, basta curtir a onda e transar essas dicas básicas:

1. Em primeiro lugar, assista com atenção Os Embalos de Sábado à Noite e vá treinando a coreografia de Tony Manero pra arrasar na pista;



2. Tire do fundo do baú suas meias Dancin' Days (isto é, as de seus pais ou avós);



3. Sapatos plataforma eram o máximo nos anos 70, mas cuidado: equilibrar-se neles não é muito fácil; 



4. Se você conseguir uma peruca black power pode usá-la, pois penteados afro eram o must. A escova à la Farrah Fawcett também;



5. Calças boca de sino ou pantalonas serão bem-vindas;



6. Os discos de vinil que seu tio cinquentão aposentou no fundo do armário podem servir de inspiração, ainda mais se for um dos "Fantásticos" da RCA;



7. Se quiser, leve seus patins, mas não tente dar as piruetas de Linda Blair em Roller Boogie, por motivos de precaução;



8. Humilhe Júlia Matos e saiba de cor a letra de Dancin' Days, das Frenéticas;



9. Se você tiver um iô-iô, leve na próxima festinha, mas só pra fazer tipo;



10.Para terminar, lembre-se: Abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa.


Merchan Days


É comum hoje em dia, nas novelas, que os personagens façam uma (nem sempre) discreta propaganda de produtos ou serviços utilizados por eles. De refrigerante, carro, amaciante de roupa, sapato, lingerie, perfume, extrato de tomate até serviço de internet banking. O merchandising tem espaço garantido nas tramas.

Mas nos anos 70, quando essa prática teve início, ainda de forma bem mais sutil, muitas vezes o nome da marca era apenas visto na cena. Os personagens não chegavam a citá-lo e nem a recomendá-lo verbalmente. Bastava o telespectador ver o personagem tomando uma marca de cerveja ou usando determinada marca de sandália, por exemplo, para cobiçar o produto e já entender o recado.

Nesse sentido, Dancin' Days foi, de fato, uma grande vitrine. Foi quando o consumismo ficou bem patente, estampado na ação da novela. Além dos modismos, que foram vários (penteados, maquiagem, roupas, acessórios, a própria discoteca), algumas marcas tinham espaço cativo nos letreiros de neon da discoteca que dava nome à novela: impossível não ver os nomes Orloff, Caloi e Staroup acesos na pista de dança do Dancin' Days.



A Veja de 13 de dezembro de 1978 dedicou uma matéria ("A grande vitrina") exclusivamente ao então recente fenômeno da publicidade inserida em Dancin' Days e também originada pela novela, direta e indiretamente:

Ao mesmo tempo que as personagens de ficção perdiam terreno, algumas outras começaram a ser introduzidas no enredo da novela. A mais bem-sucedida de todas foi, sem dúvida, a boneca "Pepa", companheira inseparável de Carminha (Pepita Rodrigues) em seus solitários monólogos sobre a vida e o amor. Antes mesmo de ir para o ar, Pepa originou um contrato entre a Rede Globo e a fábrica de brinquedos Estrela, que lançou a boneca com esse nome. E, se a sempre atarefada Carminha não ganhou muito com isso, não se pode dizer o mesmo da atriz que vive dentro dela. Pepita Rodrigues conta que tem direito a 5% das vendas da boneca Pepa, que já foram compradas em todo o país (400 mil, segundo ela) e parte agora para o lançamento de uma revista em quadrinhos com o nome da boneca, acompanhada das respectivas camisetas. (...) 
Menos retumbante foi a incursão da grã-fina Iolanda (Joana Fomm) e seu fiel mordomo Everaldo (Renato Pedrosa) pelos horários comerciais. Juntos, eles ofereceram apartamentos e pratarias aos ouvintes. Em separado, Pedrosa foi um pouco mais feliz: servindo-se de todos os tiques e manias da personagem, já ofereceu jeans e televisores e, agora, apresenta a inédita receita de polenta instantânea às suas telespectadoras/consumidoras. E Cacá (Antônio Fagundes) não fez por menos: utilizou-se de todo o seu charme de diplomata para proclamar as vantagens de uma discretíssima válvula para descarga de privada. 
Servindo de passarela a personagens que lembram modelos de publicidade, o cenário de Dancin' Days acabaria se transformando, ele também, numa espécie de vitrina - onde se reserva espaço para os luminosos de jeans e vodca durante os travolteios numa discoteca, que mostra  os últimos modelos de mesas de som. (...)

Por outro lado, paródias e piadas também foram feitas por revistas como a Mad e a Pancada (espécie de 'irmã' da Mad, ambas muito parecidas). E assim o merchadising popularizou-se de vez na teledramaturgia brasileira.

Carminha (Pepita Rodrigues) e sua Pepa

A colônia oficial da novela, by Elizabeth Arden





Edição especial da revista Rock Espetacular inteiramente dedicada à novela

E não é que em 1999 -  20 anos após ter sido exibida - a identidade visual da novela ainda permanecia forte? Essa bem bolada propaganda do Itaú é mais uma prova do poder de Dancin' Days na publicidade: