A volta dos dias dançantes


O canal Viva presenteia seu público (cada vez mais fiel e crescente) com aquela que talvez seja a mais clássica das telenovelas brasileiras: Dancin' Days. Nesta segunda, 7 de abril, a partir da meia-noite, o canal passa a apresentar a trama de Gilberto Braga, exibida originalmente pela Globo em 1978, às 20h.


Com direção de Daniel Filho, foi a estreia do autor no horário nobre. Mas ninguém podia imaginar o quanto a novela se tornaria emblemática para toda uma geração. O mais impressionante é que 36 anos depois, Dancin' Days continua viva não só na memória do elenco como principalmente na do público. Quem a assistiu tem vontade de revê-la e quem nunca viu, quer muito vê-la. 

Nem vou me prender aos detalhes da trama ou à ficha técnica da novela, já que existe uma profusão de sites e livros disponíveis sobre essa parte. (Eu mesmo já havia feito um post, quatro anos atrás, sobre o último capítulo de Dancin' Days. Naquela época nem poderia imaginar que a novela seria reexibida na íntegra!). Aliás, quem quiser a ficha completa da novela, basta acessar o site Teledramaturgia, o maior e melhor banco de informações sobre teledramaturgia brasileira. 

Julia Matos (Sônia Braga)
Yolanda (Joana Fomm) e Marisa (Glória Pires)
Em 2011, uma versão editada da novela foi lançada em DVD pela Globo Marcas. Mas o Viva vai exibi-la na íntegra, exatamente como foi exibida em 1978. Mas quem pensa que a novela é só luzes e dança está enganado. A discoteca é o pano de fundo que une os personagens, mas não há cenas dançantes todos dos dias. O público jovem de hoje pode estranhar o ritmo lento das longas cenas, os diálogos que duram um bloco inteiro e os dramas dos persongens, expostos quase em tempo real. Por outro lado, o texto é de um realismo impressionante e mergulha fundo nas idiossincrasias de cada personagem.

Cacá (Antônio Fagundes), Celina (Beatriz Segall), Franklin (Cláudio Corrêa e Castro) e Beto (Lauro Corona)
A edição de 20 de setembro da Veja trouxe uma ótima análise ("As emoções da noite") das três principais telenovelas da época. Coube a Paulo Moreira Leite a crítica de Dancin' Days, a de maior destaque:

(...) Bem articulada em sua trama, carregada de nuanças psicológicas na montagem de suas personagens, "Dancin' Days" consegue ser a mais empolgante novela em cartaz em nossas emissoras, atingindo 80% no Ibope carioca, numa das noites de maior emoção.
Tudo começa e termina em Copacabana, bairro que é uma salada democrática, onde convivem ex-habitantes do subúrbio com milionários em decadência, funcionários de escritórios com os últimos sobreviventes dos velhos e bons tempos em que a região era o paraíso na Terra da classe média brasileira. São pessoas que sentem o mundo desabando sobre velhas e douradas ilusões, brutalmente atingidas pelo fracasso em seus casamentos e/ou profissões, procurando no brilho fascinante das novas roupas, gestos da moda e ambientes finamente decorados uma última esperança de serem felizes - isto é, admiráveis.
(...)
Mas uma consciência viva e atenta caminha entre personagens e ambientes destroçados, a grã-finagem de segunda mão: é Cacá (Antônio Fagundes),o candidato certeiro aos amores de Júlia (Sônia Braga). Se o drama de Júlia - acusada de atropelar e matar um guarda noturno, por isso pagando uma pena de onze anos na prisão - é o fio que conduz os segredos de toda a novela, a consciência de Cacá é a chave para decifrá-los.

Sem dúvida, poder assistir Dancin' Days na íntegra será uma experiência no mínimo marcante. Tanto para os admiradores mais jovens da teledramaturgia brasileira quanto para os mais velhos. E que todos abram suas asas e soltem suas feras!


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