A trilha sonora não oficial de Dancin' Days


Que as trilhas sonoras nacional e internacional de Dancin' Days estão entre as mais marcantes de todos os tempos, não há dúvida. Quando a moda das discotecas se alastrou pelo Brasil, impulsionada pelo sucesso da novela, não houve quem a segurasse. Foi breve, porém intensa. E tamanha intensidade não coube dentro de uma trilha sonora só.

Como nos anos 1970 ainda não se usava lançar mais de duas trilhas sonoras para uma mesma novela — era sempre um disco nacional e outro internacional — várias músicas frequentemente tocadas em Dancin' Days não entraram nos LPs da novela.

Da trilha nacional, Outra Vez, composta por Isolda e gravada por Roberto Carlos em 1977, tornou-se um dos grandes hits da carreira do cantor. Mas ele não permitiu que sua gravação fosse utilizada na novela. A Globo providenciou uma regravação, feita por Márcio Lott, que virou tema de Júlia (Sonia Braga) e Cacá (Antônio Fagundes). Um compacto foi lançado pela Som Livre, com a canção no lado A e a versão instrumental (também muito ouvida na novela) no lado B. Apesar de muito tocada na novela, a faixa não fez parte do LP nacional.

Márcio já havia participado de trilhas sonoras de novelas anteriores da Globo, como O Primeiro Amor, Selva de Pedra, Uma Rosa com Amor, Carinhoso e O Semideus, como integrante do coro vocal, além de O Casarão, Os Ossos do Barão e Cavalo de Aço, como solista. Outra Vez marcou os encontros e desencontros do casal romântico de Dancin' Days.

Na parte instrumental, algumas músicas (Nelly Reve e La Maison Aux Oiseaux), extraídas da trilha sonora do filme O Selvagem (Le Sauvage, 1975) foram usadas para as cenas de Cacá (Antônio Fagundes) em Brasília. Dirigido por Jean-Paul Rappeneau, o longa foi estrelado por Catherine Deneuve e Yves Montand e teve a trilha composta por Michel Legrand.

Já entre as faixas internacionais, várias não entraram no LP, principalmente por limitações de espaço. Entre essas, quatro se destacam por serem tocadas com frequência ao longo da novela, sem no entanto fazer parte do LP internacional: Got a Feeling, de Patrick Juvet; Gypsy Lady, de Linda Clifford; You and I, de Rick James, e From East To West, do Voyage. 

O suíço Patrick Juvet fez muito sucesso nas discotecas do mundo no final dos anos 70. Assessorado pelos lendários produtores de disco music Jacques Morali e Henri Belolo (responsáveis por sucessos do Village People e da Ritchie Family), Juvet emplacou alguns hits. Got a Feeling foi um dos maiores, lançado no álbum homônimo do cantor, em 1978.


Linda Clifford também explodiu na segunda metade da década de 1970, junto com a febre das discotecas. Em seu álbum de 1978, If My Friends Could See Me Now, estava contida a faixa usada com frequência na novela, Gypsy Lady. Um erro, no entanto, deve ter confundido os mais antenados na época. De fato, o LP internacional de Dancin' Days traz uma faixa Gypsy Lady, de Linda Clifford. Acontece que se trata, na verdade, da canção Broadway Gypsy Lady, do mesmo álbum da cantora. Por conter duas faixas com títulos parecidos (mas são duas canções completamente diferentes), a Som Livre lançou uma faixa com o nome da outra. Mas as duas canções são utilizadas na novela, apesar de só uma fazer parte da trilha internacional oficial.



Outra música do LP de Linda tocada na novela foi You Are, You Are, composta por Curtis Mayfield (e também lançada por ele em seu álbum de 1978, Do It All Night). Porém, a versão que toca no aniversário de Marisa é a de Linda Clifford.

Com You and I, de Rick James, a história foi outra. A faixa, do álbum Come Get It, fez estrondoso sucesso nas pistas de dança mundiais e foi muito utilizada em Dancin' Days (chegou a aparecer inclusive nas "cenas dos próximos capítulos", uma vitrine exclusiva para canções que integravam as trilhas oficiais das novelas). Na mesma época de Dancin' Days, a novela das 7 que estava no ar era Pecado Rasgado. Por algum motivo, a Globo resolveu lançar You and I no LP internacional de Pecado Rasgado em vez de Dancin' Days. Assim, ela podia ser ouvida em ambas das novelas, embora só tenha entrado no LP de uma delas.



Outra canção foi 'emprestada' de uma outra novela da mesma época de Dancin' Days: From East to West, do grupo Voyage. A canção fazia parte da trilha internacional de O Pulo do Gato, novela das 22h. You're In My Heart, de Rod Stewart, e La Vie En Rose, de Grace Jones, também de O Pulo do Gato internacional, foram usadas na festinha de aniversário de Alzira (Gracinda Freire).


Utilizada uma vez apenas, mas 'emprestada' de Sinal de Alerta - novela das 22h que sucedeu O Pulo do Gato - foi Fool (If You Think It's Over), de Chris Rea. Pelo visto o universo musical dançante de Dancin' Days era grande demais para abrigar apenas a trilha oficial da novela. Outras canções de sucesso da época também fizeram parte dos primeiros meses da novela, como Macho (A Real Real One), de Celi Bee & The Buzzy Bunch, Let's All Chant, de Michael Zager Band e a versão disco de Night and Day, tocada por John Davis and The Monster Orchestra.




Na inauguração do Club 17, a discoteca de Horácio e Yolanda, os hits de os Embalos de Sábado à Noite são ouvidos exaustivamente, mas não em versões originais: Stayin' Alive, Night Fever e More Than a Woman, cantadas pelo cover Flowers, em gravação da CID (Cia Industrial de Discos). A versão original de The Grand Tour, do grupo Grand Tour (de 5 minutos e 58 segundos) também pode ser ouvida na íntegra, na inauguração do Club 17. No entanto, a versão que entrou para a trilha internacional de Dancin' Days foi a editada, com apenas 3 minutos e 2 segundos. Outra encurtada foi Sotch Machine, do Voyage. No LP da novela ela tem apenas 3 minutos e 20 segundos. A original tem 5 minutos e 10 segundos.



Mas uma das mais notórias, que marcou a volta de Julia Matos, já na fase rica, foi On Broadway, de George Benson. Apesar de não ter entrado do disco da novela, é constantemente lembrada por embalar a famosa cena de Julia se esbaldando com Paulete, na inauguração da discoteca que dá nome à novela. A faixa havia sido lançada no álbum Weekend in L.A., de 1977.


Ouvindo ainda mais atentamente, é possível identificar outras canções internacionais, de menor destaque, 'emprestadas' de outras trilhas da Som Livre da época. Uma mais gostosa que a outra. Não é à toa que aqueles foram dias dançantes. 

Rita e Frida


Mais um post da série "capas de discos parecidas". Desta vez, são dois álbuns lançados no mesmo ano, com apenas alguns meses de diferença. Um no Brasil e outro na Suécia. Trata-se de Fruto Proibido (de Rita Lee) e Frida Ensam (de Frida Lyngstad). A semelhança entre as duas capas é visível. A ambience é a mesma. As duas beberam da mesma fonte, cada uma à sua moda. Coincidência? Acho bem provável que sim, já que nenhuma das duas cantoras tinha conhecimento uma da outra. Talvez o clima das duas capas represente o espírito daquela época específica, em que o glam rock começava a declinar e o mundo ainda não havia sido tomado pela disco music. É possível enxergar também um certo ar de 'independência' (talvez para enfatizar que as cantoras estavam em um LP solo). Tanto Rita quanto Frida aparecem bem à vontade, o que também deixa transparecer sensualidade.



Fruto Proibido



É o quarto álbum de Rita Lee e o segundo com a banda Tutti-Frutti. Com uma mescla de rock e pop, o disco trouxe vários sucessos que se tornariam definitivos na carreira da cantora. Agora só Falta Você, Esse Tal de Roque Enrow (co-escrito com Paulo Coelho), Luz del Fuego, Dançar pra não Dançar, além de Ovelha Negra, considerado o hino de Rita e provavelmente sua canção mais famosa, que a projetou como artista solo.

Produzido por Andy Mills (que fizera vários discos de Alice Cooper) e lançado pela Som Livre em junho de 1975, Fruto Proibido é considerado uma das obras-primas da história do rock nacional. Na época, vendeu 150 mil cópias, um recorde para um disco de rock brasileiro.

Luis Sérgio Carlini fez os arranjos do álbum, em parceria com Rita, e é o autor do solo de guitarra ao final de Ovelha Negra, que se tornou referência para os guitarristas brasileiros.


Frida Ensam



Segundo álbum solo da então vocalista do ABBA, Anni-Frid Lyngstad - mais conhecida como Frida -, lançado pela Polar Music em novembro de 1975. O nome do LP, Frida Ensam, quer dizer "Frida sozinha", em sueco. Produzido por Benny Andersson (noivo de Frida na época e um dos integrantes do ABBA) fez grande sucesso na Suécia, chegando a alcançar disco de platina pelas 130 mil cópias vendidas. 

Todas as músicas foram gravadas em sueco. O carro-chefe é Fernando, composta por Benny, Björn Ulvaeus e Stig Anderson (empresário do ABBA) exclusivamente para o álbum. As outras canções são covers. Destaque para as versões de Life on Mars? (Liv på Mars?), de David Bowie, The Wall Street Shuffle (Guld och gröna ängar), do 10cc, Wouldn't It Be Nice (Skulle de' va' skönt), dos Beach Boys, e Send in the Clowns (Var är min clown?).

Devido ao enorme sucesso de Fernando, Benny e Björn criaram para o ABBA a versão em inglês. Acreditavam na possibilidade da música se tornar um hit internacional se a canção fosse gravada em inglês, exatamente o que aconteceu. 

"Dancin' Days foi tudo aquilo que a televisão poderia ter sido, mas que não foi"


Entrevista concedida ao jornalista Edney Silvestre, em Nova York - Publicada na Revista da TV do jornal O Globo, de 25 de julho de 1993

NOVA YORK - Sônia Braga entrou num baile de debutantes em certa capital brasileira e ficou sem fala. À sua frente, quase uma centena de sósias de Júlia Matos. Todas com o mesmo penteado, a mesma maquiagem e, com pequenas variações, o mesmíssimo vestido preto e branco que sua personagem usara em "Dancin' Days" alguns capítulos antes daquela data. Não foi caso isolado de uma cidade ou um estilo. O que Júlia Matos vestia, dizia ou fazia na tela da Rede Globo, na noite anterior, no dia seguinte estava sendo copiado e repetido de Norte a Sul do Brasil por mulheres mais jovens, mais velhas e, até, muito mais velhas que a vingativa-mas-romântica personagem criada por Gilberto Braga.


Júlia Matos virou exemplo e meta para milhões de mulheres no país inteiro - apesar de seu passado controvertido e uma vida que incluía, entre outras coisas, generosas contribuições financeiras de homens mais velhos a quem ela se entregava, na ânsia de subir na vida a qualquer custo. Até hoje apaixonada pela personagem, Sônia Braga recordou para O GLOBO, numa entrevista em seu magnífico apartamento em Manhattan, as razões que fizeram deste melodrama deslavado um dos maiores sucessos da televisão brasileira.



O GLOBO - Não houve antes e nunca mais aconteceu um fenômeno como "Dancin' Days", capaz de causar transformações no comportamento, na visão de mundo dos telespectadores brasileiros. Que explicação você encontra para isso?
SÔNIA BRAGA - "Dancin' Days" foi um marco na dramaturgia brasileira e na vida de todos nós, envolvidos na gravação da novela. Tanta coisa contribuiu para fazer dela o fenômeno que foi e continua sendo: a absoluta dedicação do Daniel (Filho) ao projeto, o texto do Gilberto (Braga), o envolvimento do elenco...

O GLOBO - Vamos do início: como você aportou no papel de Júlia Matos?
SÔNIA - Sabe que eu fiz teste para o papel? Foi decisão minha. Eu tinha 28 anos e a Júlia começava a novela trintona, após 11 anos de cadeia, com uma filha de 15. O Daniel me ofereceu o papel, mas eu não tinha certeza se poderia funcionar como mulher mais velha, mãe de adolescente, com um passado barra pesada.

O GLOBO - Você tinha uma boa relação com Daniel Filho?
SÔNIA - Tenho até hoje. Ele é dedicado, maníaco por qualidade, muito aberto. O Daniel, além de ser engraçado e criativo, inovava muito as coisas. Em 78, ele estava num momento maravilhoso, querendo dar um grande salto de qualidade na televisão.

O GLOBO - Como foi o teste?
SÔNIA - Usei maquiagem especial para envelhecer e fizemos os três testes sem interrupção. Com a Lídia Brondi, com a Suzana Queiroz e com a Glória Pires. A cena era o momento em que eu invado o quarto da menina, que já está vestida de noiva e tento convencê-la a não se casar só por dinheiro. Eu me infiltrara na casa fingindo ser outra pessoa, quando, na verdade, era irmã da mulher que virara mãe da minha filha. Ela estava saindo para casar com o Beto (Lauro Corona), que era irmão do homem que eu amava, vivido pelo Antônio Fagundes.


O GLOBO - Que dramalhaço!
SÔNIA - Não é o máximo? O Gilberto Braga, que tem total controle desse tipo de dramaturgia inspirado nos filmes dos anos 40 e 50, não teve o menor pudor em pôr esses elementos de coincidências melodramáticos na trama. E nós, atores, também não tínhamos nenhum pudor em levar as emoções às últimas conseqüências.

O GLOBO - Esse despudor sentimental foi outro fator de sucesso?
SÔNIA - Claro! Que nem na vida real, especialmente no Brasil, onde nós somos tão melodramáticos. Tinha ainda As Frenéticas, tinha música, tinha convidados especiais... teve até Gal Costa cantando numa festa na casa da Júlia Matos!

O GLOBO - A empatia foi imediata entre você e Glória Pires?
SÔNIA - A Glorinha tinha pouca experiência de televisão mas já era um talento extraordinário. No teste, depois de a Júlia insistir que a Marisa não podia se casar, ela me perguntava: "Mas quem é você? Por que está falando tudo isso?". E eu respondia: "Você ainda não... percebeu?" Glorinha então percebia: "Você é minha... minha...", começava a chorar, depois caminhava até a porta e dizia: "Vou me casar...", abria a porta, "vou ser muito feliz", e me mandava embora. Foi uma emoção tão grande...

O GLOBO - E o visual da Júlia Matos? Quem inventou?
SÔNIA - A Júlia passou por várias fases. A criação começava com a Marília Carneiro (figurinista) e havia uma total integração entre a percepção dela, a minha e a do Daniel... O iluminador e o maquiador tiveram contribuições importantes. Tinha que fazer a maquiagem de envelhecimento todo dia. Depois da temporada européia, voltava gloriosa, com uma calça vermelha, barriga de fora, sapatos altos com meia soquete. Essa moda pegou e durou até depois de a novela sair do ar.


O GLOBO - Havia alguma parte mais lacrimejante do texto que você se inibiu em falar?
SÔNIA - Eu adorava cada fala da Júlia e até cheguei a pedir ao Gilberto para pôr uma frase que eu sempre sonhei um falar. Mas o momento mais difícil foi uma cena com o Fagundes. Depois que ele atropela um cachorrinho vira-latas e eu o obrigo a levá-lo a um veterinário. O Daniel comentou: "Se a gente conseguir fazer essa cena e passar o sentimento sem cair no ridículo, a novela está garantida." Ficou uma cena linda, que a gente fez com paixão e sinceridade.

O GLOBO - Que visão o Gilberto Braga passava para você deste drama tão popular?
SÔNIA - Ele mandava recados para a gente no script. Entre uma fala e outra, nos dizia: "Essa eu quero ver". Pedi para botar uma música do Roberto Carlos como tema da Júlia. "Você foi o melhor dos meus sonhos, de todos os abraços, o que eu nunca esqueci..." Puseram.

O GLOBO - Qual foi a frase que você teve que insistir para o Gilberto pôr?
SÔNIA - "A porta da rua é serventia da casa. Ponha-se daqui para fora!" O Gilberto resistiu, disse que não podia pôr uma frase dessas de jeito nenhum até que um dia veio a surpresa. Numa visita da Yolanda (Joana Fomm), digo "a porta da rua é a serventia da casa", jogo-lhe a capa de chuva em cima, aponto para a porta e falo "ponha-se daqui para fora!"

O GLOBO - Você se refere a tudo de "Dancin' Days" com tanto prazer...
SÔNIA - Havia uma energia muito positiva entre todo mundo. Outra coisa importante: foi gravada na Globo-Tijuca, na Usina, o que fazia de "Dancin' Days" uma produção independente. Ali eu tive esperança de que podia ser um prazer fazer novela. "Dancin' Days" foi tudo aquilo que a televisão poderia ter sido. Mas que não foi, não virou, não se repetiu.

O GLOBO - Não teria a ver também com a atmosfera de esperança que se vivia no Brasil da época?
SÔNIA - Sim, tinha muito. Se falava em abertura política, na volta dos exilados, se estava fazendo a Lei dos Artistas, tinha a greve dos dubladores, tudo rolando ao mesmo tempo. Mas eu, particularmente, acho que a vontade e a capacidade profissional do Daniel Filho é que deram vida a tudo isso que estava latente. Se eu tivesse que dar um prêmio a alguém pelo sucesso de "Dancin' Days", daria ao Daniel. E sei que ele acabaria partilhando com todo mundo que participou do projeto.



A volta dos dias dançantes


O canal Viva presenteia seu público (cada vez mais fiel e crescente) com aquela que talvez seja a mais clássica das telenovelas brasileiras: Dancin' Days. Nesta segunda, 7 de abril, a partir da meia-noite, o canal passa a apresentar a trama de Gilberto Braga, exibida originalmente pela Globo em 1978, às 20h.


Com direção de Daniel Filho, foi a estreia do autor no horário nobre. Mas ninguém podia imaginar o quanto a novela se tornaria emblemática para toda uma geração. O mais impressionante é que 36 anos depois, Dancin' Days continua viva não só na memória do elenco como principalmente na do público. Quem a assistiu tem vontade de revê-la e quem nunca viu, quer muito vê-la. 

Nem vou me prender aos detalhes da trama ou à ficha técnica da novela, já que existe uma profusão de sites e livros disponíveis sobre essa parte. (Eu mesmo já havia feito um post, quatro anos atrás, sobre o último capítulo de Dancin' Days. Naquela época nem poderia imaginar que a novela seria reexibida na íntegra!). Aliás, quem quiser a ficha completa da novela, basta acessar o site Teledramaturgia, o maior e melhor banco de informações sobre teledramaturgia brasileira. 

Julia Matos (Sônia Braga)
Yolanda (Joana Fomm) e Marisa (Glória Pires)
Em 2011, uma versão editada da novela foi lançada em DVD pela Globo Marcas. Mas o Viva vai exibi-la na íntegra, exatamente como foi exibida em 1978. Mas quem pensa que a novela é só luzes e dança está enganado. A discoteca é o pano de fundo que une os personagens, mas não há cenas dançantes todos dos dias. O público jovem de hoje pode estranhar o ritmo lento das longas cenas, os diálogos que duram um bloco inteiro e os dramas dos persongens, expostos quase em tempo real. Por outro lado, o texto é de um realismo impressionante e mergulha fundo nas idiossincrasias de cada personagem.

Cacá (Antônio Fagundes), Celina (Beatriz Segall), Franklin (Cláudio Corrêa e Castro) e Beto (Lauro Corona)
A edição de 20 de setembro da Veja trouxe uma ótima análise ("As emoções da noite") das três principais telenovelas da época. Coube a Paulo Moreira Leite a crítica de Dancin' Days, a de maior destaque:

(...) Bem articulada em sua trama, carregada de nuanças psicológicas na montagem de suas personagens, "Dancin' Days" consegue ser a mais empolgante novela em cartaz em nossas emissoras, atingindo 80% no Ibope carioca, numa das noites de maior emoção.
Tudo começa e termina em Copacabana, bairro que é uma salada democrática, onde convivem ex-habitantes do subúrbio com milionários em decadência, funcionários de escritórios com os últimos sobreviventes dos velhos e bons tempos em que a região era o paraíso na Terra da classe média brasileira. São pessoas que sentem o mundo desabando sobre velhas e douradas ilusões, brutalmente atingidas pelo fracasso em seus casamentos e/ou profissões, procurando no brilho fascinante das novas roupas, gestos da moda e ambientes finamente decorados uma última esperança de serem felizes - isto é, admiráveis.
(...)
Mas uma consciência viva e atenta caminha entre personagens e ambientes destroçados, a grã-finagem de segunda mão: é Cacá (Antônio Fagundes),o candidato certeiro aos amores de Júlia (Sônia Braga). Se o drama de Júlia - acusada de atropelar e matar um guarda noturno, por isso pagando uma pena de onze anos na prisão - é o fio que conduz os segredos de toda a novela, a consciência de Cacá é a chave para decifrá-los.

Sem dúvida, poder assistir Dancin' Days na íntegra será uma experiência no mínimo marcante. Tanto para os admiradores mais jovens da teledramaturgia brasileira quanto para os mais velhos. E que todos abram suas asas e soltem suas feras!