Bette Midler e Clara Nunes?


O que o primeiro álbum de Bette Midler e o último de Clara Nunes têm em comum? Bem, musicalmente, nada. Mas a semelhança na ilustração de ambas as capas me chamou a atenção. Outro dia vi, por acaso, uma foto da capa do disco de Clara em um jornal e imediatamente me veio à cabeça a capa do meu LP favorito de Bette Midler. O tom das cores é muito parecido, sem falar que nas duas capas, os desenhos retratam o rosto das respectivas cantoras de formas também parecidas.




Acabei descobrindo mais uma coincidência (se é que posso chamar assim): The Divine Miss M, disco de estreia de Bette Midler, foi lançado no final de 1972. Nação, o último de Clara Nunes, foi lançado exatamente dez anos depois, no final de 1982.


The Divine Miss M (1972)


Co-produzido por Barry Manilow, inclui várias canções que se tornaram clássicos do repertório de Bette, como Do You Want to Dance?, Chapel of Love, Friends e Boogie Woogie Bugle Boy. O álbum rendeu à cantora o Grammy da categoria Artista Revelação, em 1974.


Nação (1982)


Foi o último álbum de estúdio de Clara, que faleceria em 1983. Além da faixa-título, o disco também teve como destaque as faixas Menino Velho, Ijexá e Serrinha.

Com o diabo no corpo


Linda Blair se acostumou aos holofotes desde cedo. Começou aos 5 anos, como modelo infantil e, em seguida, atriz. Aos 12, já tinha aparecido em dezenas de comerciais e centenas de catálogos publicitários. Foi quando sua vida deu uma guinada: escolhida entre 600 outras garotas, ganhou o papel de Regan, a menina possuída pelo demônio no filme O Exorcista (The Exorcist), em 1973.


Rapidamente catapultada para a fama internacional, ganhou o Golden Globe e tudo indicava que o Oscar também seria dela naquele ano. Mas quando vazou a notícia de que algumas partes do filme não haviam sido feitas por ela (a voz demoníaca foi dublada por Mercedes McCambridge, e 8 segundos de cena foram feitos por uma boneca) as chances da jovem atriz de ingressar no time dos melhores de Hollywood decaíram.

No set de "O Exorcista", com o diretor William Friedkin

Com seu Globo de Ouro
Injustiças à parte, nos anos subsequentes ela deu continuidade à sua carreira e protagonizou uma série de bem-sucedidos filmes para a TV. O primeiro deles, Inocência Ultrajada (Born Innocent, 1974), ficou em 1° lugar entre os filmes feitos para a TV naquele ano. Drama de Uma Adolescente (Sarah T. - Portrait of a Teenage Alcoholic, 1975) também marcou época na TV americana. 



"O Exorcista II - O Herege"
Mas em 1977, o demônio voltaria a atacar. Linda estrelou, ao lado de Richard Burton, O Exorcista II - O Herege. A sequência, no entanto, foi um fracasso de bilheteria. Para piorar, na época, a atriz foi pressionada por amigos a comprar cocaína. Descoberta, foi julgada e pegou três anos de liberdade condicional, em troca de uma multa de U$ 5 mil e prestação de serviços sociais. O incidente ganhou mais destaque na mídia do que se podia imaginar e Linda, com apenas 18 anos, ficou queimada em Hollywood. A partir dali, sua carreira limitou-se a filmes B e participações especiais na TV.


Em 1979, uma mudança de ares: com Roller Boogie, o universo colorido e musical das discotecas de patinação serviu de cenário para uma ingênua - e kitsch - aventura dançante (que também não 'colou'). Detalhe: a maioria das cenas de patinação de Linda foram feitas por ela própria e não por uma dublê.

Com Jim Bray em "Roller Boogie"
Embora a carreira da atriz nunca mais tenha retornado aos dias de glória experimentados na época de O Exorcista, Linda provou que espírito esportivo era seu forte. Sempre bem-humorada, não se deu por vencida e continuou trabalhando dignamente. 

Nos anos 80, entre os vários filmes que protagonizou, dois se tornariam cult: Correntes do Inferno (Chained Heat, 1983) e Ruas Selvagens (Savage Streets, 1984). "Não estou fazendo isso como obra de arte, nem porque esse seja meu desejo", disse ela em uma entrevista para o Los Angeles Times, na época. "Tampouco é por alguma crença pessoal ou filosofia. Estou apenas trabalhando."


Explorando a imagem "sexy" nos anos 80
Tentando deixar para trás o estigma de "garota possuída", Linda não teve medo de explorar seu lado sexy e mais picante nesses filmes do começo dos anos 80. Nem o improvável e conturbado namoro com o cantor Rick James (que fez para ela a canção Cold Blooded, hit de 1983) fez com que a atriz deixasse a peteca cair.


Apesar de tantos altos e baixos, Linda parece não guardar ressentimento dos "traumas" do passado. Em 1990 parodiou a si própria no divertidíssimo A Repossuída (Repossessed), junto com Leslie Nielsen.


Mas o que guia sua vida atualmente é a paixão pelos animais. Ela comanda a Linda Blair WorldHeart Foundation, organização não-governamental dedicada ao resgate e reabilitação de animais abandonados, doentes ou que sofreram violência. Seu trabalho em prol dos bichos já lhe valeu vários prêmios, entre eles, de organizações como a P.E.T.A. (People for the Ethical Treatment of Animals / Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais).


Nenhuma das 'polêmicas' que envolveram a carreira de Linda Blair têm muita importância hoje. Seu lado ativista é, de fato, o centro de sua vida. Na época da tragédia causada pelo furacão Katrina, por exemplo, ela resgatou e transportou pessoalmente mais de 50 cães perdidos pela cidade, após a catástrofe. Há mais de 40 anos, a atriz permanece um ícone de Hollywood e uma figura querida da TV americana. Tanto que ela é uma das sorridentes e simpáticas juradas no terceiro episódio desta temporada de RuPaul's Drag Race, para delírio de seus antigos (e novos) fãs.

Com RuPaul no episódio de "RuPaul's Drag Race"


Linda Blair: Top 5 - Feitos para a TV

  • Inocência Ultrajada (Born Innocent, 1974) 
  • Drama de Uma Adolescente (Sarah T. - Portrait of a Teenage Alcoholic, 1975)
  • Doce Refém (Sweet Hostage, 1975) 
  • Vitória em Entebbe (Victory at Entebbe, 1976)
  • Verão do Medo (Summer of Fear / Stranger in Our House, 1978)