Síndrome de pós-Avenida Brasil


Li uma entrevista muito boa com Manoel Carlos, nas páginas amarelas da Veja desta semana (29/01/2014). Apesar de ser um admirador do trabalho do autor, não é exatamente sobre ele que vou escrever. Minha motivação foi uma das respostas que ele deu: 
"No momento, todo mundo quer aquele ritmo instantâneo de Avenida Brasil. Mas quem fez aquilo foi o João Emanuel Carneiro, um autor jovem que buscava seu jeito de fazer novela. Isso não quer dizer que eu, aos 80 anos, deva sair por aí imitando um garoto. Não vou pagar o mico de macaqueá-lo. Vou fazer do jeito que sei. É no que acredito."


Avenida Brasil foi, indiscutivelmente, uma grande novela. Daquelas que pararam o país, como há tempos não acontecia. Deu até pra relevar alguns desacertos, que não chegaram a comprometer a trama. Mas desde seu fim, cresceu a mania do público - em especial no twitter - de comparar todas as novelas com Avenida Brasil, como se, depois dela, nenhuma mais prestasse.

Radicalismos à parte, nenhuma novela está livre de deslizes. Ainda mais hoje em dia, diante do escrutínio do público, sempre com a boca no trombone nas redes sociais. Qualquer errinho mínimo se agiganta, vira piada nacional. Os tuiteiros são implacáveis e rápidos demais nos julgamentos. 

É claro que algumas telenovelas realmente não são bem sucedidas. Vão mal de Ibope, a trama apresenta furos, irregularidades, os personagens não cativam o público... Mas isso não é regra. No entanto, no twitter, tenho a impressão de que as novelas ficam quase em segundo plano, já que o foco é comentá-las (leia-se criticá-las) freneticamente. Vira uma espécie de competição para ver quem vai apontar um erro primeiro, ou quem vai fazer a piada mais rapidamente.


É comum comentar as novelas em tempo real. É quando a maioria dos tuiteiros 'comentaristas' convergem para o mesmo programa. Novela ainda é uma paixão nacional, por mais que o gênero passe por altos e baixos. Seja para aplaudir ou atirar pedras, o Brasil está sempre de olho nela. Se por um lado o público (por meio do twitter) está muito próximo de quem faz a novela (emissoras, autores, artistas) e tem a chance de expressar sua euforia pelas tramas, por outro parece que muita gente está mais preocupada em fazer comparações ou achar falhas e defeitos nas novelas.

Em Família, de Manoel Carlos, nova trama das 21h que estreia semana que vem, nem começou e já estão pipocando "críticas" no twitter. Sem terem visto ao menos um capítulo! Reclamam que vai ser mais do mesmo, que será lenta, arrastada, com os mesmos assuntos etc. Mas novela é isso: são sempre os mesmos assuntos. E cada autor tem seu estilo e sua marca. Se não gosta de determinado autor, é simples: não assista. Ou então faça críticas inteligentes e bem-humoradas. Mas ficar sempre resmungando a mesma coisa torna-se cansativo até mesmo no twitter.


Apesar de gostar muito do estilo de Manoel Carlos, suas duas últimas novelas não me empolgaram muito. Mas acho difícil julgar Em Família apenas por algumas chamadas e propagandas. Os tuiteiros parecem não querer aceitar o fato de que a nova novela NÃO será uma Avenida Brasil e nem tem obrigação de ser. Não é essa a proposta. É chata essa 'má vontade' que se instalou no público depois do fim de Avenida Brasil. E fico com a impressão de que, para os tuiteiros, nenhuma novela vai prestar depois de Avenida Brasil. O que é uma pena, pois acabam perdendo o prazer de curtir uma nova trama que, se não for sensacional, poderá ser ao menos potencialmente boa.

Filmes da semana (TV Programa/Jornal do Brasil)

Nesta primeira parte das sinopses de filmes da TV Programa, selecionei algumas de David França Mendes, publicadas entre 1991 e 1992.


EXPRESSO PARA O INFERNO (Runaway train) de Andrei Konshalovski. Com Jon Voigt, Eric Roberts, Rebecca de Mornay. EUA, 1985. Duração: 112m.
Ação. Prisão não é um negócio legal, certo? Mas solitária em prisão de segurança máxima no Alaska é demais. Dois presos nessas circunstâncias conseguem escapar e se metem, clandestinos, num trem de carga. Trem fora de controle é outra coisa chata, mas esse está sem maquinista (teve um enfarte) descendo as montanhas geladas a mais de 150 Km/h. A única esperança dos fugitivos é bancar os surfistas ferroviários e chegar à locomotiva antes de se espatifarem.

9 ½ SEMANAS DE AMOR (9 ½ Weeks) de Adrian Lyne. Com Mickey Rourke, Kim Basinger, Margaret Whitton. EUA, 1986. Duração: 113 min.
Sexo também é consumo. Kim Basinger é seduzida por Mickey Rourke. Sua paixão é furiosa, não conhece limites. Ele é chegado a umas fantasias sádicas, às quais submete a parceira. Ela não consegue resistir, mas acaba chegando o momento em que o instinto de sobrevivência fala mais alto. É isso que o filme se propõe a ser. A verdade é mais branda. Suas “perversões” não vão muito além da geladeira e da cabra-cega e quase todas poderiam ilustrar um comercial de TV um pouco mais ousado. Em todo caso, o filme é bonitinho (a Kim Basinger é um pouco mais que isso) e o casal compõe bem na tela.

A COISA (The Stuff) de Larry Cohen. Com Michael Moriarty, Andrea Marcovicci, Paul Sorvino. EUA, 1986. Diração: 93m.
Comédia. Estranha gosma branca e doce – igualzinha a marshmallow – começa a brotar da terra. Logo ela começa a ser comercializada como guloseima. A susbtância, apesar da aparência inofensiva, transforma o caráter de seus consumidores, transformando-os em pessoas sem paixões. A inspiração clara é o clássico Vampiros de almas. É boa a ideia, a realização traz a marca do melhor cinema picareta – efeitos especiais canhestros, atores limitados e careteiros, clichês aos montes – mas o filme decepciona. Em todo caso, tem fanáticos admiradores.

UM ÁLIBI PERFEITO DEMAIS (Sette volte sette) de Michelle Lupp. Com Gastone Moschin, Lionel Stander, Gordon Mitchell. Itália, 1968. Duração: 109m.
Caixinha de surpresas. Vai haver final da Copa do Mundo na Inglaterra e um grupo de presidiários arma um plano perfeito: fugir durante o jogo, fazer um grande roubo e voltar antes do fim da partida. O que poderia dar errado? Nunca se sabe.

O ALTO PREÇO DA PAIXÃO (The high price of passion) de Larry Elikan. Com Richard Crenna, Karen Young, Sean McCann. Canadá, 1986. Duração: 100m.
Drama. Produção televisiva sobre um professor que se envolve com uma prostituta. Sua paixão pela profissional do sexo vai levá-lo à decadência. Segue-se final trágico. Duração: 100m.

O TESOURO DO FUNDO DO MAR (The deep). Direção: Peter Yates. Com Robert Shaw, Jacqueline Bisset, Nick Nolte. EUA, 1977.
Suspense úmido. Adaptação de best-seller do mesmo autor de Tubarão lançada nos cinemas como O fundo do mar. Casal em lua-de-mel corre risco de vida ao se interpor entre um bando de contrabandistas e um tesouro submerso. Alguma ação bem filmada e Jacqueline Bisset. Duração: 2h.

A BATALHA DO PLANETA DOS MACACOS (Battle for the planet of the apes). Direção: J. Lee Thompson. Com Roddy McDowell. EUA, 1973.
Macacada reciclada. Quinta e última diluição do original O planeta dos macacos. Macaco falante lidera os demais primatas contra os humanos. Duração: 1h32m.

DESEJO DE MATAR 4 - OPERAÇÃO CRACKDOWN (Death wish 4 - The crackdown). Direção: J. Lee Thompson. Com Charles Bronson. EUA, 1988.
Picuinha. O homem não tem sossego. Enfastiado de justiçar bandidos, Bronson muda de cidade e se casa com uma jornalista. Mas a filha da namorada morre de overdose, o que reacende o Desejo de matar, desta vez voltado contra os crack dealers. Duração: 1h39m.

LADRÃO: QUESTÃO DE OCASIÃO (How to beat the high cost of living). Direção: Robert Scheerer. Com Susan Saint James, Jessica Lange. EUA, 1980.
Tá ruim pra todo mundo. Três jovens fúteis não suportam o fato de que estão perdendo poder aquisitivo e decidem roubar um bolo de dinheiro num shopping center. Duração: 1h44m.

IMPACTO FULMINANTE (Sudden impact). Direção: Clint Eastwood. Com Clint Eastwood. EUA, 1983.
Polícia e bandido. Um dos vários filmes da série Dirty Harry, com Eastwood resolvendo casos na base do tapa sem levar muito em consideração direitos civis e outras formalidades. Duração: 1h57m.

POR QUE EU? (Why me?). Direção: Fielder Cook. Com Glynnis O'Connor. EUA, 1983.
Dramalhão. Enfermeira da força aérea tem o rosto deformado e o casamento destruído após acidente. Duração: 1h34m.

GENTE PERFEITA (Perfect people). Direção: Bruce Seth Green. Com Lauren Hutton.
Amor e malhação. Casados há vinte anos, Ken e Barbara tentam escapar da monotonia do casamento à base de aeróbica e fisicultura. Sinal dos tempos: antigamente o usual seria a troca de casais ou compras em sex-shops. Duração: 1h34m.

OS COWBOYS (The cowboys). Direção: Mark Rydell. Com John Wayne, Roscoe Lee Browne, Bruce Dern. EUA, 1971.
Estatuto do menor. Deixado na mão por seus cowboys, que trocaram o trato dos bovinos pela frebre do ouro, criador recruta onze meninos, que trata com dureza, para levar seu gado ao mercado. Duração: 2h08m.

TRÊS CARTAS DE AMOR (Letters from three lovers). Direção: John Erman. Com June Allyson. EUA, 1973.
Drama postal. As vidas e os amores de um grupo de pessoas sofrendo a influência de atrasos na entrega de cartas. Duração: 1h13m.

UMA NOITE ALUCINANTE PARTE 1 (The evil dead). Direção: Sam Raimi. Com Bruce Campbell. EUA, 1983.
Horror. Alguns dos piores atores do mundo numa produção paupérrima sob a direção inspirada de um inovador do gênero, Sam Raimi. Feito com ajuda de amigos, Evil dead fez sucesso contando, com muita gosma, efeitos especiais picaretas e requintados movimentos de câmera, a história de um grupo de jovens acossado por uma força maligna. A cena da moça estuprada por raízes de árvores é obra de mestre. Duração: 1h25m.

JOGA A MAMÃE DO TREM (Throw momma from the train). Direção: Danny de Vito. Com Danny de Vito, Billy Cristal, Anne Ramsey. EUA, 1987.
Matricídio. Versão cômica de Pacto sinistro, de Hitchcock. Um homem odeia sua esposa, outro tem problemas com a mãe. Este propõe um intercâmbio de assassinatos inspirado na trama do filme de Hitchcock, que os dois admiram. Tem Billy Cristal, o chato da noite do Oscar. Duração: 1h28m.

STALLONE COBRA (Stallone Cobra). Direção: George Pan Cosmatos. Com Sylvester Stallone, Brigitte Nielsen. EUA, 1986.
Pancadaria. Stallone é um tira que se arvora de grupo-de-extermínio-de-um-homem-só. Um dos seus filmes mais boçais. Duração: 1h27m.

MORTE NA AUTO-ESTRADA (Death car on the freeway). Direção: Hal Needham. Com George Hamilton. EUA, 1981.
Psicose rodoviária. Celerado motorista de furgão mata mulheres motoristas na auto-estrada. Feito para a TV. Duração: 1h30m.

A ABOMINÁVEL CRIATURA (The unnamable). Direção: Jean-Paul Ouelette. Com Charles King. Canadá, 1988.
São Tomé. Estudantes céticos decidem conferir as lendas sobre uma casa mal-assombrada onde, dizem, um homem foi mutilado e morto por horrível criatura nascida de sua própria mulher. Duração: 1h27m.

A MÃO (The hand). Direção: Oliver Stone. Com Michael Caine. EUA, 1981.
Horror. Mão decepada e perdida de cartunista acidentado sai matando gente. Ridículo. Oliver Stone é ruim e não é de hoje. Duração: 1h44m.

Saudade dos filmes da semana na TV Programa

No começo dos anos 1990, o Jornal do Brasil trazia como suplemento a revista TV Programa, aos sábados, com toda a programação de TV da semana. Primeiro era apenas uma seção, que vinha na tradicional revista Domingo, do JB. Depois é que virou uma segunda revista, a TV Programa, e passou para sábado. Além de entrevistas e matérias sobre novelas, cinema, música e televisão em geral, a revista funcionava como um guia de programação para o telespectador. E era ótima.


Mas nada me marcou tanto nessa revista quanto as sinopses dos filmes da semana. Eram listados com dia, horário, uma pequena ficha técnica e o resumo. A maioria dessas rápidas sinopses era cheia de ironia e humor, sempre brincando com o gênero dos filmes. Às vezes politicamente incorretas, com apenas cinco ou seis palavras as sinopses descreviam os filmes. E os gêneros não se limitavam a rótulos convencionais como apenas ‘drama’, ‘comédia’ ou ‘suspense’. Frequentemente uma frase ou palavra debochada é que definiam o gênero em questão.

Entre 1991 e 1994, eu costumava recortar várias dessas sinopses e colar todas num caderno, que funcionava como minha espécie de “guia particular de vídeo”. Esses textos curtos e bem humorados eram feitos por David França Mendes e Karla Cavalcanti (se houver algum outro desse período, por favor, me avisem).

Minha ideia aqui é reproduzir algumas dessas sinopses impagáveis, que tanto me divertiram e inspiraram durante minha adolescência, período em que eu era um compulsivo gravador de filmes da TV.

É uma pena que essa ideia do “guia de TV” esteja ultrapassada. Os canais pagos já trazem a sinopse dos filmes no próprio menu da tela. E para os filmes da TV aberta, os jornais mal trazem a programação do dia.

Se algum saudosista também se lembra das divertidas sinopses de David França Mendes ou Karla Cavalcanti para o guia de TV do Jornal do Brasil, aproveite para matar a saudade de algumas delas no próximo post.



Orquestra Água Viva


Para complementar a postagem sobre a "trilha sonora não oficial" de Água Viva, lembrei de mais uma música utilizada algumas vezes na novela de Gilberto Braga. A primeira vez foi na fase inicial, quando Lígia ainda era casada com Heitor. Para um jantar na casa do casal, Lígia pede ao marido algumas fitas K7 para tocar durante a recepção: "Meu bem, me ajuda a escolher umas fitas. Aquelas gravações calminhas que você faz, pra não atrapalhar a conversa". Mal humorado, ele responde: "Por mim eu botava era música de discoteca bem alta, pra não ter que aguentar esses chatos, sabia?"

Lígia pede ajuda a Heitor para escolher uma fita
Depois de escolherem as fitas, ela coloca então uma no aparelho de som. Começa a tocar Le Sud, na versão orquestrada de Paul Mauriat. Desde aquele capítulo, a canção voltou a aparecer em algumas cenas de Lígia, mais tarde, embalando as lembranças da personagem.

A canção, de Nino Ferrer (cantor e compositor francês de origem italiana), foi lançada em 1974 e se tornou um dos maiores hits do artista. No entanto, a versão orquestrada de Paul Mauriat, lançada no ano seguinte, também fez bastante sucesso. Vale lembrar que até os anos 70, orquestras faziam muito sucesso e eram bem populares não só entre os mais velhos, mas também entre os jovens. Ray Conniff, Paul Mauriat, Franck Pourcel e Billy Vaughn foram alguns dos que marcaram presença nas décadas de 60 e 70. 


A maioria das canções de sucesso da época ganhavam versões orquestradas de um desses três maestros. A partir dos anos 80, foram perdendo força. O som de orquestra ficou ultrapassado e virou sinônimo de "música de velho".

Paul Mauriat, Franck Pourcel, Ray Conniff e Billy Vaughn
Em Água Viva, no entanto, ainda é possível ver claramente a fase final dessa era das canções orquestradas. Nas cenas de restaurante ou bar, lá estão as músicas de fundo orquestradas. Além de Le Sud, é possível ouvir, com frequência, versões orquestradas de Ships ou Lead Me On, por exemplo (cujas originais fazem parte da trilha internacional da novela). 


Tarde demais para salvar a Sessão da Tarde


Há várias gerações, desde a década de 1970, crianças, jovens e adultos acompanham os filmes que a Rede Globo exibe de segunda a sexta na Sessão da Tarde. De tão incorporada ao nosso cotidiano, parece ter sempre existido. Mas já faz tempo que circulam especulações sobre o provável fim da Sessão da Tarde. Agora parece que é pra valer. De qualquer forma, é como se o fim já tivesse acontecido há anos. Os filmes exibidos antigamente – divertidos, variados e interessantes – foram gradativamente substituídos por filmes bobos e, na maioria, infantis.


Há alguns meses o programa passou por uma reformulação que modificou até sua vinheta clássica. Para levantar a audiência do horário, a Globo retomou os filmes que todos adoravam assistir nas tardes dos anos 90. Parece que a resposta do público foi positiva, embora não o suficiente para tirar o programa da lista de possíveis cortes. Como se sabe, a TV paga e a internet desviaram a atenção do público, que já não se interessa mais por filmes na TV aberta.


Quando eu era criança, há vinte e poucos anos, a Sessão da Tarde era um programa e tanto. Mas qual a criança que, hoje em dia, assiste Sessão da Tarde? Costumava-se ver filmes deliciosos da Disney como Aquele Gato Danado (That Darn Cat!, 1965), O Tesouro de Matecumbe (Treasure of Matecumbe, 1976), Candleshoe - O Segredo da Mansão (Candleshoe, 1977), Se Eu Fosse a Minha Mãe (Freaky Friday, 1977)... Vários deles protagonizados por uma Jodie Foster ainda adolescente. Sem falar nos filmes do cãozinho Benji. Mas histórias de suspense também tinham vez, assim como dramas, comédias e musicais. E eram filmes bons, que agradavam a um público vasto.


Como não lembrar das tantas  tardes em companhia de filmes como A Lagoa Azul (The Blue Lagoon, 1980), O Corcel Negro (The Black Stallion, 1979), Os Goonies (The Goonies, 1985), Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's Day Off, 1986), Conta comigo (Stand by Me, 1986), Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China, 1986), Um salto para a felicidade (Overboard, 1987), Cuidado com as gêmeas (Big Business, 1988), A Volta de Roxy Carmichael (Welcome Home, Roxy Carmichael, 1990), Minha Mãe É Uma Sereia (Mermaids, 1990) e inúmeros outros?

Difícil imaginar que a Sessão da Tarde está prestes a perder seu espaço na grade vespertina da Globo. A audiência não é a mesma de 20 anos atrás. O programa merecia uma turbinada em seu pacote de filmes. O excesso de reprises deveu-se, principalmente, à Classificação Indicativa. Desde 2008, nenhuma emissora aberta pode exibir filmes nesse horário cuja classificação seja para maiores de 14 anos. A Globo precisou se adequar à nova regulamentação e exibir apenas filmes tem tenham a classificação livre para maiores de 10 anos.

Tudo bem que filmes como Porky's (1980), Tubarão (Jaws, 1975) ou Uma Professora Muito Especial (Private Lessons, 1981) jamais fariam parte da Sessão da Tarde nos dias de hoje. A emissora ainda foi capaz de selecionar longas mais interessantes nos últimos meses, como A Família Addams (The Addams Family, 1991) , Dirty Dancing - Ritmo Quente (Dirty Dancing, 1987) e Meu Primeiro Amor (My Girl, 1991). Mas ao que tudo indica, foi o último suspiro da Sessão da Tarde, que deverá ser substituída por uma segunda novela no Vale a Pena Ver de Novo. Vamos ver se vai valer mesmo a pena.

Selfie-service, nova modalidade de restaurante

Resolvi que em 2014 preciso patentear uma ideia: a do restaurante SELFIE Service. Já que a moderna obsessão das pessoas é sair se fotografando freneticamente, seja em espelhos de banheiros, academias, bares ou qualquer outro lugar, acho que minha ideia ia colar. A tal de "selfie" é a febre do momento. Junte-se a isso a mania - que vem crescendo nos últimos anos - de fotografar as comidas nos restaurantes, bares e almoços de família. Comer ficou, definitivamente, em segundo plano. Deixe o prato esfriar. O mais importante é fotografar a comida quando ela chega à mesa. Mesmo que seja um simples mexido feito em casa, numa madrugada qualquer de segunda-feira. E, claro, postar no Facebook ou no Instagram na mesma hora.

Mas a moda da selfie (postar nas redes sociais fotos que a pessoa tira do próprio rosto) superou até a mania, por vezes irritante, de fotografar a comida. E como os celulares hoje servem pra TUDO (menos para telefonar), a onda é usá-los como câmera e dirigir o filme da própria vida, onde, é lógico, você é a estrela e protagonista. E tome carão blasé, olhares fatais, cabelos cuidadosamente ajeitados e biquinhos sensuais. Das lajes das comunidades às coberturas de luxo dos bairros nobres. Caras e bocas não faltam. A selfie não tem classe social. Nem limites.

No meu restaurante, o moderníssimo selfie-service, cada cliente se fotografaria sem parar. As comidas, todas cenográficas, seriam apenas um pretexto. Comer ficaria em segundo, terceiro, último plano. Haveria espelhos do chão ao teto, em todas as paredes. Até as privadas do banheiro seriam espelhadas, para que os clientes, num surto coletivo de egocentrismo e hedonismo, pudessem postar suas selfies de todas as posições possíveis e imagináveis. Creio que a maioria não faria questão de companhia, já que o principal parceiro e companhia ideal seria o próprio telefone celular. 


Já decidi que o nome seria Le Selfiesh, com uma pegada bem pretensiosa. (Nada como uma afrancesada básica no nome pra fazer a classe média se derreter em elogios). A comida seria contemporânea. A cozinha seria do tamanho de um lavabo, já que não passaria de um depósito de mocapes. Os banheiros seriam imensos, com lugares para 100, 150 ou até 200 pessoas. Assim todos tirariam suas selfies sem problema algum. Se alguém quiser abrir sociedade, pode me procurar. Preciso de investidores. Acreditem, eu ainda viverei para ver essa ideia se tornar realidade. E feliz ano novo!