A trilha sonora "não oficial" de Água Viva


Entre os que acompanham a festejada reprise de Água Viva, no Canal Viva, os mais atentos já devem ter notado. Notado o que?, perguntam vocês. As roupas? Os penteados? As maquiagens? As gírias? Os carros? Não. São as músicas recorrentes que tocam ao fundo, quando há alguma festa na novela. Principalmente na casa de Stella Simpson (Tônia Carrero). São as músicas do LP Disco 80 (um dos meus favoritos).


A novela de Gilberto Braga, que estreou no comecinho de 1980, contou com trilha sonora nacional e internacional de grande sucesso. Mas antigamente as canções internacionais só apareciam lá pela metade da novela, depois que os temas nacionais já estavam bem conhecidos e na boca do povo. Era então que entravam os temas internacionais dos personagens.

Figurantes enfeitam as reuniõezinhas de Stella Simpson ao som do Disco 80
Coincidentemente, a Som Livre lançou o Disco 80 na mesma época em que Água Viva estreou na Globo. E como a trilha sonora nacional da novela é cheia de canções mais lentas, temas específicos dos personagens, as reuniõezinhas sociais e festas do grand monde carioca, retratados na novela, ficaram sem músicas de fundo "apropriadas". Foi aí que entrou em cena a coletânea Disco 80, que trazia a aposta dos sucessos da época. 


Uma seleção de 12 músicas lançadas no segundo semestre de 1979, que prometiam bombar em 1980. Nem todas as faixas viraram hits, mas umas quatro ou cinco sim. Várias daquelas faixas, hoje bastante datadas, permanecem obscuras ou já foram esquecidas. Outras viraram clássicos 'trash', como a que abre o lado A, Genghis Khan, do grupo homônimo. Mas ela não está entre as que tocam na novela.

Escolheram quatro músicas para embalar as cenas das festinhas de Stella Simpson (e às vezes em cenas de restaurante também). Do lado A, pinçaram as baladas Slippin' Away, de Ben Moore, e Disconnected, do New View featuring Ann Calvert. Do lado B, (Who Were You With) In The Moonlight, do Dollar, e Supernatural, de Richard Orange. Dessas, as que são conhecidas até hoje são a do Ben Moore e a do Dollar. Essas quatro tocam com frequência toda vez que há coquetel na casa de Stella. Outras faixas do LP também já tocaram, como After The Love Has Gone, na versão de Noon & Midnight, e Sleazy, do Village People. O curioso é que dá pra ver que é o Disco 80 porque as faixas sempre tocam na ordem do LP!

Mas o dito cujo em questão não é exclusividade do high society não. Na festinha-classe-média de Mary (Maria Helena Pader), amiga de Irene (Eloísa Mafalda), também rolou Disco 80, para minha alegria.

Após a entrada da trilha sonora internacional na novela, creio que o Disco 80 será deixado de lado (até porque deve ter arranhado de tanto tocar sempre as mesmas quatro faixas). De qualquer forma, são músicas que se adequam bem ao estilo 'café soçaite' da novela. 


Outra música que também não fez parte da trilha sonora oficial de Água Viva, mas que foi usada algumas vezes nas cenas de praia - especialmente naquelas em que Bete (Maria Padilha) ou outras personagens faziam topless - foi Classical Dancin', de Walter Murphy (que havia estourado em 1976 com sua A Fifth of Beethoven). A faixa faz parte do álbum Walter Murphy's Discosymphony, de 1979, lançado no Brasil  pela RCA em 1980.



Se fosse nos dias atuais, provavelmente a trilha sonora de Água Viva seria lançada em três ou quatro CDs, como é normal hoje. A diferença é que os CDs das novelas atuais acabam encalhados nas lojas, já que as músicas e temas não são muito marcantes e são pouco explorados na história.

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Para complementar este post, o Ivan Gomes (@ivangomesz) descobriu a música da vinheta de "estamos apresentando/voltamos a apresentar" de Água Viva. Ao contrário do que muitos pensavam, a música não foi feita para a novela. A Globo utilizou um trecho da faixa Sweet 'n' Sour, do grupo The Crusaders, retirada do álbum Free As The Wind (1977). O grupo, americano, fez sucesso nos anos 1970 com canções que misturavam  jazz, pop e soul.



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Curiosidade: os Crusaders também são responsáveis pelo hit Street Life (1979), com Randy Crawford nos vocais, tema de abertura de Pecado Mortal, novela da Record, escrita por Carlos Lombardi. A Record, no entanto, utilizou uma regravação. Já a Globo, no caso de Água Viva, usou a original.


Continue lendo a outra parte da postagem aqui.

O que teria acontecido a Julie Allred


Quem assistiu ao filme O Que Teria Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962) não esquece a atuação de Bette Davis jamais. Mas, com certeza, os aficionados também se lembram da presença rápida, porém marcante, da atriz-mirim que interpretou Baby Jane na infância. Já de cara, logo após cantar a clássica I've Written a Letter to Daddy, vemos que o rostinho de anjo da pequena não engana mais: a mimada e temperamental garota tiraniza os pais e a irmã. Pois acabo de saber  com quase dois anos atraso!  que Julie Allred, a garotinha que viveu Baby Jane no início do filme, morreu em 2011, aos 57 anos.

Julie Allred como Baby Jane criança
Nascida na Filadélfia, em 20 de maio de 1954, Julie Allred fez uma única participação no cinema, em 1962, como a versão criança da temível Baby Jane Hudson (vivida por Bette Davis). Aos 10 anos foi diagnosticada com diabetes tipo 1 (dois anos após o filme). Passou por um transplante de ilhotas pancreáticas. Era casada com Mitchell Ovitz e tinha quatro filhos. Trilhando um caminho totalmente oposto à carreira artística, trabalhou como enfermeira obstétrica e pediátrica. Acabou falecendo de complicações decorrentes da diabetes, em 29 de dezembro de 2011. 



Posando com Bette Davis:





Com Bette Davis, Joan Crawford e Gina Gillespie no set de Baby Jane (1962)

Sexta básica de (in)utilidades


Caderneta de poupança Delfin – Todo pai de noiva, todo casal que espera um filho nascer, tem sempre em mente dar uma grande festa no casamento de sua filha, ou no batizado do bebê. Geralmente, o sujeito da classe média está sempre “duro”. E nesses acontecimentos, ele saca em banco, para a festa e o enxoval da filha, ou para o batizado. Em banco ou nas caixas de previdência da empresa onde trabalha. Depois paga com juros... O mais inteligente é o sujeito começar a tirar um pouco todo mês do seu rendimento (ajeitando sempre dá), e abrir uma caderneta de poupança. Existem várias – a Delfin, por exemplo, que é a principal e a maior do país e considerada a mais simpática. Quando chegar a ocasião, ele tira a grana acrescida ainda dos rendimentos e correção monetária, e sua festa sairá mais barata e sem tantas preocupações. Use a cuca, amigo, porque cavalo não desce escada. Cici de luxo, eu chego lá.

Aprenda a receber – Etiqueta
Ibrahim Sued
Editora Top, 1977



Os violentadores de músicas alheias


Semana passada assisti, por acaso, ao filme mais surreal que poderia ter visto. Trata-se do nacional Os Violentadores de Meninas Virgens (1983), do diretor Francisco Cavalcanti, um dos nomes mais conhecidos da chamada "Boca do Lixo" paulistana. A Boca ficou muito conhecida nos anos 70 e começo dos 80 pela produção de filmes baratos, quase amadorísticos e de forte apelo sexual.


É o caso de Os Violentadores de Meninas Virgens. O enredo é simples: um grupo de velhos ricos e pervertidos paga para usar e abusar sexualmente de moças virgens. As tais virgens são sequestradas e levadas para uma casa, onde são oferecidas aos velhos e submetidas aos desejos dos tarados.

De cara, o elenco grotesco chama a atenção. Com o devido respeito ao status cult do filme, mas tudo é tão canhestramente feito, a começar pelas "atuações" risíveis e o elenco totalmente amador. Os cenários são improvisados, pobres e cafonas. As tais "moças virgens" do título são, na verdade, barangas bem feiosas que não têm NADA de "moças". A maioria aparenta bem mais de 30. Os velhos também são repugnantes de tão feios. 

Apesar da tentativa de criar um clima de suspense, o filme só provoca gargalhadas. Impossível olhar para tanta gente feia e sem apelo algum e ainda levar a coisa a sério. Chega a ser embaraçoso. Porém, mais embaraçoso ainda é o uso de músicas no filme. A trilha sonora totalmente roubada de filmes famosos ou hits da época fica completamente deslocada e dissonante. E foi exatamente isso o que mais me chamou a atenção.



Não sei o que é mais embaraçoso: as "moças de família" dançando ou a plateia de figurantes semi-moribundos.



Em uma cena que se passa em uma boate (de quinta categoria), duas vadias dançam (sem NENHUMA empolgação) ao som de Voulez-Vous, do ABBA! Sim, o ABBA, meu grupo favorito, servindo de fundo musical para um show erótico horrendo em uma birosca obscura. Seria trágico se não fosse cômico. A canção é tocada quase totalmente enquanto as moças dançam seminuas. Mas isso não é tudo. Logo na sequência, uma dançarina solo baila ao som de uma versão instrumental de Woman in Love, de Barbra Streisand. A coisa vai piorando.


Outra cena mostra um jovem casal fazendo sexo ao som de Endless Love, de Diana Ross e Lionel Ritchie. Como se não bastasse, a trilha sonora de O Expresso da Meia-Noite permeia quase todo o filme, com o uso de nada menos do que três canções: Love's ThemeInstabul Blues e (Theme from) Midnight Express. Nunca vi tamanha cara de pau no uso indiscriminado de canções de trilhas sonoras alheias. E duvido muito que tenham obtido permissão para usar todas essas músicas.





Os Violentadores de Meninas Virgens vale apenas como curiosidade para quem se diverte com bizarrices. Ou com o uso indevido de canções alheias. Estas sim, coitadas, são as verdadeiras violentadas do filme.

Sexta básica de (in)utilidades


Cartas – Não responder as cartas recebidas, é abandonar as amizades e dar motivo justificável ao esquecimento das pessoas que nos escreveram.

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Para que uma carta fique bem fechada e a fim de evitar que qualquer violação se faça sem vestígios, basta passar no fecho do envelope uma solução de clara de ôvo e água, em partes iguais, aplicando-se por cima, ràpidamente, um ferro de engomar medianamente aquecido.

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As pessoas que não acusam o recebimento de cartas e convites vão granjeando paulatinamente a indiferença de suas amizades, que a colocarão de lado ao notar esta descortesia de atitude.

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As cartas datilografadas são, em regra, comerciais e protocolares, as que se trocam entre pessoas que precisam entrar em contato por razões de profissão. As cartas para parentes ou amigos serão sempre manuscritas, para que contenham suficiente dose de afeto.

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Tenha-se especial cuidado de não enviar uma carta, sem relê-la prèviamente. Isto permite ser certificado se nela não vai uma expressão ou um pensamento que possa ser mal interpretado pela pessoa a quem é dirigida.

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Os que gostam de perfumar os papéis de carta podem fazê-lo, com grande facilidade, impregnando um papel secante na essência preferida e intercalando-o, depois, entre as fôlhas e os envelopes. A caixa em que estiverem deve ser mantida bem fechada. Desta maneira o papel estará sempre perfumado.



Fonte: Dicionário do Lar - Vol. II
Editora Logos, 1964.



A casa que roubava as cenas


Ainda na adolescência, eu costumava assistir incessantemente aos mesmos filmes, hábito que  devo confessar  ainda mantenho. Se fosse de suspense então, aí sim eu delirava! Sempre gostei de ver e rever meus filmes favoritos inúmeras vezes. Os anos passam e eu sigo com meu pequeno prazer, que sempre me empolga (mesmo que eu já conheça o filme de cor e salteado).

Foi assim que o cenário de três filmes começou a me intrigar. Quando tinha uns 15 anos, peguei na videolocadora um filme britânico chamado Terror Cego (Blind Terror / See No Evil, 1971). Suspense de primeira com Mia Farrow no papel de uma cega que passa o pão que o diabo amassou para escapar de um maníaco assassino em uma mansão isolada. O cenário é belíssimo, em Berkshire, sudeste da Inglaterra. Bracknell Forest com suas paisagens idílicas, cores lindas... Perfeito para uma jovem indefesa sofrer enquanto luta para não ser assassinada. Mas o interior da mansão também é muito bonito e tem arquitetura e decoração bem marcantes. Tanto o exterior quanto o interior foram muito bem explorados na construção do suspense e do drama do filme.


Pois bem, algum tempo depois assisti na TV a outro filme mais ou menos da mesma época, Sombras na Escada  (The Spiral Staircase, 1975), refilmagem de um suspense preto-e-branco dos anos 40. Dessa vez, a jovem indefesa - porém muda, e não cega - foi Jacqueline Bisset. E qual não foi minha suspresa ao notar que a casa do filme era a MESMA de Terror Cego! Se não chega a ser tão bom quanto o primeiro, Sombras na Escada também garante alguns momentos de suspense. 

Terror Cego (1971)
Terror Cego (1971)
Terror Cego (1971)
Mas se uma vez é pouco, duas é bom, então três é demais. Novamente, mais ou menos na mesma época, me apaixonei por um outro filme que vi na TV, Terror e Loucura (Tales That Witness Madness, 1973), muito reprisado pela extinta Manchete. E qual não foi a minha surpresa ao ver a mesma casa de novo! Era uma daquelas antologias irresistíveis da Amicus (produtora britânica de filmes de terror), muito comuns no começo dos anos 70, com quatro ou cinco histórias de terror. Foi lançado m vídeo com o título de Testemunhas da Loucura. A casa em questão aparece no último episódio, "Luau", com Kim Novak.


Com o passar dos anos, revi os três filmes dezenas de vezes e fiquei com os cenários bem nítidos na memória. Com certeza era a mesma casa. Por dentro e por fora. A cada filme, o interior passava por algumas pequenas modificações. Um papel de parede aqui, um jarro de flor ali, uma poltrona diferente acolá... Mas era nitidamente a mesma casa, com portas altas em forma de arco.

Terror e Loucura (1973)
Terror e Loucura (1973)
The Stud (1978)
The Stud (1978)

Recentemente, tantos anos depois, deparei-me novamente com a mesma casa (pela quarta vez!), agora no filme The Stud (1978), com Joan Collins, baseado no romance homônimo da irmã de Joan, Jackie Collins. Uma canastrice pretensamente 'sexy'. Na verdade, um pretexto para cenas calientes protagonizadas por Joan. 


Pesquisando no IMDb antes de publicar este post, tive a confirmação "oficial", de que se trata realmente de uma casa de verdade. Não é estúdio. Trata-se de Binfield Manor e, segundo li em uma lista de discussões (BritMovie.co.uk), a mansão pertence atualmente ao Sultão de Brunei. Sorte a dele!



Deixe essa sepultura trash aberta



Fazer o filme mais caro do mundo, o que tem mais efeitos especiais, o que levou mais tempo para ser filmado, o que concorreu ao maior número de estatuetas do Oscar, o que teve a maior bilheteria da história... Tudo isso não é tão difícil quanto fazer o "pior filme de todos os tempos". Sim, porque para atingir essa categoria, não basta produzir um filme propositalmente ruim e mal feito. Não se trata de fazer uma 'caricatura de filme' e sim um filme pensado para ser sério, mas com pouquíssimos recursos. E por isso mesmo, genuinamente ruim.

Em sua concepção, o diretor imagina a história perfeita, a narrativa, o susto, o drama, o clímax... Mas colocar tudo isso em prática torna-se quase inviável devido ao orçamento limitado (ou até mesmo inexistente). O que fazer então? Agir como se nada disso fosse empecilho e seguir em frente. Reunir um grupo de atores e atrizes amadores, escolher locações baratas ou gratuitas e montar uma pequena equipe. Provavelmente composta por amigos ou simplesmente apaixonados por filmes de baixo orçamento.

Esse foi o mote do americano S. F. Brownrigg (1937-1996), que nos anos 70 dirigiu e produziu algumas pérolas trash do terror psicológico. Filmes de produção amadorística, com baixíssimo orçamento e altíssimo potencial para manter o público tenso. Cineasta independente e adepto do 'faça você mesmo', Brownrigg fez filmes bastante peculiares, marcados por uma atmosfera taciturna, pesada, de suspense psicológico, tramas obscuras e viradas surpreendentes, salpicadas por cenas bem sanguinolentas.



Brownrigg fidelizou sua legião de admiradores logo na estreia, com Don't Look in the Basement (1973), que rapidamente adquiriu status de cult e fez enorme sucesso nos circuitos americanos de drive-in no começo dos anos 70. No filme, uma jovem enfermeira psiquiátrica consegue emprego em um manicômio afastado e sombrio. Lá ela passa a ter contato com os vários tipos de demência e desequilíbrio dos pacientes. Uma série de assassinatos brutais tem início e a pobre jovem precisa tentar ajudar os pacientes enquanto protege a própria vida.


Logo depois, em 1974, veio Scum of The Earth (também conhecido como Poor White Trash 2, embora não seja continuação de outro filme!). Um jovem casal recém-casado vai passar uns dias em uma cabana na floresta. Mal chegam e o rapaz é misteriosamente assassinado com um machado. Em pânico, a moça sai correndo pelo bosque e acaba indo parar em um casebre onde vive uma família estranhíssima. O socorro à jovem é sempre adiado, até que ela se dá conta de que corre, de fato, mais perigo do que se estivesse perdida na floresta. Aliás, foi justamente esse filme que Jeff Dickerson, crítico do jornal Michigan Daily, considerou o pior de todos os tempos. A crítica, publicada em 2001, dizia, entre outras coisas:

"Você gastaria melhor o seu tempo se assistisse a um bloco de gelo descongelando no micro-ondas".


"A equipe parece ter feito grande parte da iluminação usando lanternas para iluminar os personagens. Pouquíssimo pode ser visto das locações, possivelmente devido às limitações no orçamento. É como se o diretor tivesse usado sua própria casa para a maior parte das filmagens enquanto sua mãe estava no supermercado (...)"

Em 1975 foi a vez de Don't Open the Door, menos impactante que os dois primeiros, mas não menos sombrio. A história gira em torno de uma neta prestativa e atenciosa, que volta para casa a fim de tomar conta da avó idosa. É quando ela percebe que está encurralada na casa, onde também está um maníaco homicida.


O último trabalho desse gênero foi o soturno Deixe Minha Sepultura Aberta (Keep My Grave Open / The House Where Hell Froze Over, 1976), de ritmo bem mais lento que seus anteriores. Lesley é uma mulher retraída que vive em uma propriedade rural isolada. Em sua casa, visitas não são bem-vindas. Atormentada pela relação conturbada com Kevin – o filme não deixa claro se ele é seu irmão ou amante – Lesley demonstra cada vez mais descontrole emocional. Paralelamente, um homem mata brutalmente todos que se aproximam da casa. Apesar de arrastado, o filme é intrigante e angustiante. (Foi o primeiro filme dos filmes de Brownrigg que assisti. Costumava ser reprisado nas madrugadas do SBT e outros canais, no final dos anos 80/começo dos 90. É, sem dúvida, meu favorito.)

Jornal do Brasil, 18 de fevereiro de 1988


O diretor realizou seu último filme, a comédia Thinkin' Big, em 1986. Sua carreira de cineasta amador minguou e Brownrigg migrou então para a TV, indo trabalhar em programas esportivos como transmissões de jogos de golfe para a ESPN, assim como vários programas sobre caça e pesca. Um grande desperdício, dado seu talento para dar vida a alguns dos personagens mais bizarros e atormentados do cinema trash independente. S.F. Brownrigg morreu aos 58 anos em Dallas, Texas.