O exterminador do presente

Por favor, não pensem que sou mais um saudosista que só quer viver de passado. Admito, sim, que adoro as coisas de tempos passados (filmes, livros, roupas, músicas, hábitos, objetos etc.) mas também gosto de usufruir de alguns mimos que a modernidade oferece (e-mail, Google, mp3, DVD...), o que não me torna um escravo incansável dessa praga que assola o mundo atualmente. Praga sim, porque à medida em que se torna uma imposição, as inovações tecnológicas parecem querer nos esmagar, passar por cima de tudo e de todos. E ai de quem não estiver sempre um passo à frente. É absurda a quantidade de novas bugigangas que nos são empurradas diariamente. E o pior é que o povo consome tudo isso como se estivesse 'crescendo' ou se aperfeiçoando. Em quê?

Telefones celulares tornam-se ultrapassados em, no máximo, seis meses. Ou seja, hoje as pessoas compram um aparelho de celular que tem um milhão de funções (e até se esquecem de que ele serve, originalmente, para fazer e receber ligações telefônicas) e essas funções aumentam a cada mês. O mesmo serve para computadores, nem preciso dizer. Essa obsessão pelo ultra-mega-super-moderno e novo se insinua em tudo, até nos hábitos. Não existem mais lojas de discos. Hoje só há megastores, com CDs importados e caríssimos. As videolocadoras também viraram raridade. Porque todo mundo compra CD pela internet. Ou baixa os filmes pela internet. O mesmo se aplica às pequenas e aconchegantes livrarias de outrora. Aliás 'outrora', por si só, já é de outrora!

Ninguém tem mais telefone fixo. Não existem mais listas telefônicas. E eu que achava tão poético procurar o endereço de uma pessoa pelo catálogo telefônico... Agora tudo é celular. E as pessoas cada vez menos conseguem se comunicar. Não sabem cumprimentar, não sabem conversar, não têm tempo para gentilezas. Mas ficam penduradas no celular desde a primeira hora do dia até a hora de dormir. E não desligam o troço nem para dormir. Me intriga muito essas pessoas que, logo às seis horas da manhã começam a receber ligações no celular. Será que isso acontecia 15 ou 20 anos atrás? Será que tudo era TÃO urgente assim? Que pressa é essa? A menos, é claro, que você seja médico. Aí é compreensível.

Não conhecemos mais o prazer de comprar um disco, manuseá-lo, curtir cada detalhe da capa e do encarte, colocá-lo no aparelho de som... Nem disco existe mais, é tudo baixado do computador e transferido para minúsculos iPods (se é que ainda existe iPod, estou por fora das inovações dos últimos meses). Não conhecemos mais o rosto dos artistas nem como a música foi feita. Nada de instrumentos musicais. Tudo é eletrônico e computadorizado. Orquestra tornou-se uma palavra tão antiga! Parece coisa do século 19. Difícil acreditar que até 30 anos atrás elas estavam aí e eram muito comuns.

As crianças e os adolescentes de hoje não sabem mais escrever à mão. Desde pequenos, levam para a escola um compacto notebook, do tamanho de um caderno (ou menor), e nele digitam o que querem, entram na internet etc. e tal. Simplesmente o caderno de caligrafia virou peça de museu. Aliás, os alunos de hoje não fazem idéia do que seja 'caligrafia'. Nem livros. Não precisam de livros. Procuram tudo o que querem nos sites da internet. Não sabem sequer manusear um dicionário.

E as famigeradas câmeras digitais? Assim como os celulares, elas evoluem a cada mês e os modelos tornam-se obsoletos antes mesmo de ficarem populares. As pessoas não se interessam mais pelo que é curioso ou pitoresco. Saem fotografando TUDO e acumulando milhares de fotos que nunca ninguém vê depois. Nem quem tirou. Quem suporta ver tanta foto? E os álbuns de casamento? Você precisa de um dia inteiro para ver um álbum de casamento, tamanha é a quantidade de fotos. E tudo fica repetitivo ao extremo. Fotos de viagens, que eram sempre tão divertidas e agradáveis de se ver, viraram um suplício. O amigo te chama para ver as fotos das férias passadas. Aí surge na sua frente um notebook com 2700 fotos da praia de sei-lá-onde. Na trigésima foto você já não agüenta mais olhar aquilo. Torna-se maçante.

E os filmes? Gastam bilhões em produções que esbanjam tecnologia. Atores e atrizes são um mero detalhe, quase dispensáveis. A computação gráfica dá jeito em tudo: artistas, cenários, efeitos... Paga-se o dobro do preço normal de um filme para se ver em 3-D algum lançamento no cinema. E muitas vezes o fato do filme ser em 3-D não acrescenta absolutamente nada à história. Quem lucra com isso são os donos das salas de projeção, que cobram o dobro pelo ingresso, e as empresas que montam essa parafernália mundo afora.

Não quero que esta crônica vire um mar de lamúrias do presente, não é isso. Nem quero ser o "exterminador do presente" e pregar que só o passado presta. Apenas acho que essa modernidade excessiva de hoje extrapola os limites e acaba emburrecendo o ser humano, que está cada vez menos apto a lidar com as emoções e os contatos sociais ou familiares. Tudo se resume a um mundo auto-suficiente e individualista, em que basta se ter um iPhone ou um laptop e pronto: nada mais tem importância ou interesse.

Li esses dias em algum lugar que a coleção outono 2010 de Marc Jacobs homenageia a antimodernidade. Achei genial. "A busca pelo novo é tão voraz, principalmente no mundo da moda, que quando o novo aparece ele se torna imediatamente antigo", explica o estilista. Para Marc Jacobs, novo, hoje, é revisitar o clássico. E eu assino embaixo.

O conforto da boa e velha comida


Até que enfim uma “facção” da sociedade parece recobrar o juízo. Sim. Porque eu, como glutão de plantão (com o perdão da rima infame e desproposital) não agüento mais ouvir falar dos esquisitos e inovadores tipos de culinária que surgem a cada estação. E os modismos se espalham com tamanha rapidez que às vezes temos a sensação de estarmos sempre atrasados ou por fora das tendências. E por falar nelas, a nova é a “comfort food”. Nome esquisito, não? Parece marca de colchão ou de amaciante de roupas. Trata-se, na verdade, do que chamamos de comida emocional, pois desperta sensações agradáveis e evoca o prazer e o bem-estar ligados à infância ou a história de vida.

Essa culinária começou a se popularizar no Brasil e congrega em si uma idéia oposta à racionalidade dos alimentos funcionais, nos quais os benefícios à saúde são o chamariz. Por Deus, não! Vamos esquecer as dietas saudáveis ao menos por um instante. Por que essa ditadura que proíbe pão, biscoito, bolo, açúcar, óleo, frituras e tantas outras delícias? Tudo bem, é importante não exagerar, é importante cuidar da própria saúde. Mas as pessoas estão ficando paranóicas. Estão sabotando receitas maravilhosas do tempo das avós e bisavós, cortando sal, açúcar e gordura.

Os insossos pratos que nos empurram hoje em dia são o supra-sumo do sem graça. E é por isso que a comfort food faz sucesso e ganha novos adeptos a cada dia. Ela não tem a pretensão de ser algo inédito nem revolucionário: é simplesmente a redescoberta de prazeres culinários que foram condenados pela atual onda saudável e ficaram perdidos nas lembranças de tempos passados.

Só para citar alguns exemplos dessa evolução (ou involução, como preferirem), a partir dos anos 70 a nouvelle cuisine francesa estava na crista da onda. Era uma reação à cozinha tradicional. Os pratos eram elaborados em pouco tempo, com molhos mais leves e menores porções (bem menores, diga-se de passagem) e apresentados de forma refinada e decorativa. Mas agora o último grito da moda gastronômica é a tal de culinária fusion (de fusão), tendência que mistura de tudo, com predomínio de ingredientes asiáticos e um forte toque americano. Marcos Emílio Gomes, coordenador do projeto O Melhor da Cidade, da revista Veja, define de forma objetiva essa culinária: “é aquela em que você come pouco, paga muito e não consegue identificar se o que está no prato é animal, vegetal ou mineral”.

Em contrapartida, o ressurgimento da comfort food foi algo natural. Digo ressurgimento porque esse tipo de comida não foi inventado agora, sempre existiu. Só andava meio esquecido (para não dizer execrado). Ora bolas, comer é um dos maiores prazeres da vida e estão tentando justamente transformar esse prazer em uma dieta quase hospitalar. Tudo devidamente glamurizado, claro, para termos a impressão de que estamos comendo a comida mais chique e mais saudável do mundo. Ledo engano. As pessoas gostam exatamente do contrário, das coisas mais simples, do que é mais singelo, do que vem do coração. E já andam dizendo por aí que a comfort food age no cérebro como o namoro e ajuda no combate à depressão. Por essa os nutricionistas não esperavam.

Puxe pela memória: o quindim que você comida na sua infância, o torresmo, a farofa de ovos e banana, o sonho de padaria, o pastel de queijo, a costelinha assada, a polenta frita, o brigadeiro de colher, o empadão de frango, o pão com manteiga, a sopa de feijão e por aí vai... A lista é quase interminável e o prazer idem. E, ao contrário do que pregam os guias de gastronomia, não tem preço. Mas as lembranças evocadas pela comfort food são as mais caras. Aprecie sem medo de ser feliz.

E o Framboesa vai para...


Framboesa de Ouro (Golden Raspberry Awards ou simplesmente Razzie Awards) é um prêmio cinematográfico que elege os piores filmes produzidos ao longo de um ano. Paródia do Oscar, o prêmio é atualmente escolhido por internautas membros da "associação". Hoje a brincadeira é bem conhecida e divulgada pelo mundo, mas poucos sabem como surgiu essa inusitada 'premiação' e o porquê de se chamar Troféu Framboesa.

Tudo começou em 1980. O americano John J. B. Wilson, redator publicitário, foi o responsável pela criação do famigerado Troféu Framboesa de Ouro. Ele tinha o hábito de convidar os amigos para se reunirem e jantarem em sua casa, em Los Angeles, nas noites de entrega do Oscar. Em 1980, Wilson convidou a turma para sua tradicional reuniãozinha do Oscar, desta vez para que eles próprios julgassem os filmes e dessem suas premiações aleatoriamente. E a brincadeira pegou. Assim a primeira "premiação" foi realizada na sala de Wilson. A partir de então, ele decidiu formalizar o evento, depois de assistir a uma dupla de filmes que estavam sendo lançados simultaneamente naquela época: A Música Não Pode Parar (Can't Stop the Music) e Xanadu. O publicitário distribuiu para os amigos as cédulas para votarem no pior filme.

Felipe Rose (Village People), Valerie Perrine e Steve Guttenberg em "A Música Não Pode Parar"

Valerie Perrine entre Steve Guttenberg e Bruce Jenner
Assim, Can't Stop the Music foi o primeiro filme a ganhar o Framboesa. Ambos lançados em meados de 1980, Xanadu e Can't Stop the Music foram os maiores embaraços daquela época. Sucesso em termos de trilhas sonoras, os dois filmes foram fracassos retumbantes de crítica, com atuações canastronas, roteiros inexistentes e números musicais, no mínimo, kitsch. Xanadu foi estrelado pela queridinha da época, Olivia Newton-John, e pelo veterano Gene Kelly. O filme mostra um jovem desenhista que é inspirado por uma musa (enviada por Zeus!) a abrir, junto com um empresário aposentado, a roller-disco que dá título ao filme. "Uma apoteose kitsch e antológica, com Gene Kelly pagando mico na cena final", disse uma apresentadora de TV sobre Xanadu. Já Can't Stop the Music é estrelado pelos alegres rapazes do conjunto Village People, também muito popular na época. Na história, os integrantes do Village People se reúnem e descobrem a disco music (!), que passam a espalhar pelo mundo com a ajuda de amigos (uma ex-modelo e um aspirante a compositor). O filme está listado entre os 100 Piores Filmes Mais Divertidos Já Feitos, no guia oficial do Golden Raspberry Award, de John Wilson.

Olivia Newton-John, Gene Kelly e Michael Beck em "Xanadu"
O nome do troféu (Golden Raspberry Award, original em inglês) vem de uma expressão com a palavra raspberry (framboesa). A fruta parece ser usada no sentido da expressão "blowing a raspberry" (assoprando uma framboesa), que é simular o som de flatulência com a boca. Para completar o clima de deboche em cima do Oscar, as indicações do Framboesa saem um dia antes das indicações da Academia – e a "premiação" também é um dia antes da festa.

O prêmio é uma framboesa de plástico sobre um filme Super 8, pintado de tinta-spray dourada, que vale menos de US$5 (isso mesmo, menos de cinco dólares!). O hall da fama do Framboesa é liderado por Sylvester Stallone e Madonna. Stallone é o pior ator de todos os tempos, com 30 indicações e 10 prêmios (até agora) e Madonna possui 15 indicações e 9 prêmios (até agora).

Muito embora Xanadu e Can't Stop the Music figurem qualquer lista de 'piores filmes já feitos' que se preze, deixo claro que sou fã incondicional das duas obras. As trilhas sonoras permanecem extraordinárias e o visual dos filmes já vale a viagem ao submundo do pseudo-glam e do cult-kitsch. E viva o Troféu Framboesa! 

Versão brasileira...


Traduções inusitadas para títulos de filmes nunca foram surpresa para nós, brasileiros. Essas "traduções" (com aspas mesmo) sempre vão existir, embora não sejam tão freqüentes como antigamente. Nada se compara aos filmes dos anos 1930, 1940 e 1950. Na época, Hollywood vivia o ápice do glamour. Foi a era das divas, das superproduções, dos épicos e melodramas. Tudo muito teatral. Por isso os nomes dos filmes em português tinham um apelo bem dramático, quase rodrigueano. Era uma forma de aguçar a curiosidade do público e de "traduzir" o que julgavam ser o espírito da coisa (no caso, do filme). Não sei quem ficava responsável por essas escolhas de títulos. Talvez as distribuidoras, creio eu. Mas o fato é que os títulos, hoje, soam, no mínimo, cômicos. Não dá para levar a sério. Quando o título original era apenas um nome próprio, aí sm era um prato cheio. "Mr. Skeffington", por exemplo, virou "Vaidosa". Tá boa, santa? "Mildred Pierce" virou "Alma em Suplício", assim como "Shane" virou "OS Brutos Também Amam" e por aí vai... A lista é longa. Mas que tem um charme inegável, isso tem! O inegável charme da era dourada de Hollywood. Abaixo fiz uma pequena lista com alguns títulos no mínimo risíveis. Me ative às décadas de 1930, 1940 e 1950, mas obviamente as traduções engraçadas continuam existindo até hoje, porém menos piegas do que naquela época. O primeiro é o nome que o filme recebeu no Brasil, o segundo é o título original (em inglês) e o terceiro é a tradução real para o português. Enjoy!


A Dominadora - Harriet Craig (Harriet Craig)
A Malvada - All About Eve (Tudo Sobre Eva)
A Mulher Proibida - The Shining Hour (A Hora Brilhante)
A Tortura do Silêncio - I Confess (Eu Confesso)
Alguém Morreu em Meu Lugar - Dead Ringer (Sósia)
Alma em Suplício - Mildred Pierce (Mildred Pierce)
Amar foi Minha Ruína - Leave Her to Heaven (Deixe-a para o Paraíso)
Assim Caminha a Humanidade - Giant (Gigante)
Com a Maldade na Alma - Hush...Hush, Sweet Charlotte (Silêncio, Doce Charlotte)
Crepúsculo dos Deuses - Sunset Boulevard (Sunset Boulevard)
Erros do Coração - The Rich Are Always With Us (Os Ricos Estão Sempre Conosco)
Escândalos da Sociedade - Where Love Has Gone (Para Onde Foi o Amor)
Escravos do Desejo - Of Human Bondage (Da Servidão Humana)
Eu Soube Amar - The Old Maid (A Velha Dama)
Felicidade de Mentira - The Bride Wore Red (A Noiva Usou Vermelho)
Férias de Amor - Picnic (Piquenique)
Fogueira de Paixão - Possessed (Possuída)
Idílio Proibido - Hilda Crane (Hilda Crane)
No Palco da Vida - So Big! (Tão Grande!)
Meu Reino por um Amor - The Private Lives of Elizabeth and Essex (A Vida Particular de Elizabeth e Essex)
Meus Dois Carinhos - Pal Joey (Companheiro Joey)
Nas Garras do Ódio - The Nanny (A Babá)
Nascida para o Mal - In This Our Life (Nesta Nossa Vida)
O Coração Não Envelhece - The Corn Is Green (O Milho Está Verde)
Os Brutos Também Amam - Shane (Shane)
Pacto de Sangue - Double Indemnity (Dupla Indenização)
Pérfida - The Little Foxes (As Pequenas Raposas)
Quando o Amor Agarra - The Girl form Tenth Avenue (A Garota da Décima Avenida)
Satã Jantou Lá em Casa - The Man Who Came to Dinner (O Homem que Veio para Jantar)
Tragédia do Meu Destino - This Woman is Dangerous (Esta Mulher é Perigosa)
Vaidosa - Mr. Skeffington (Mr. Skeffington)

The Last Days of Disco



Nova York, final dos anos 1970, comecinho dos 1980. A era disco está chegando ao fim. Um grupo de amigos bate ponto em uma badaladíssima discoteca da cidade. Lá eles dançam, se divertem e conversam. Aqui no Brasil, o filme, de 1998, recebeu o título bem cafona de Os Últimos Embalos da Disco. Mas não pegou. O título original, The Last Days of Disco, é o que prevalece.


É um filme que poucos assistiram e nem teve muita divulgação por aqui. Na época, ficou reduzido a circuitos de cinema alternativos. O título longo e em inglês também dificultou um pouco o acesso a essa pequena obra-prima do diretor Whit Stillman. Muitos pensaram que o filme seria sobre a história do Studio 54 ou das discotecas, mas a disco é apenas o pano de fundo para os dramas urbanos de um grupo jovens de Manhattan. E é justamente perto do fim do filme que um dos personagens, Josh (vivido por Matt Keeslar), tem uma das falas mais interessantes da trama:

"A discoteca nunca vai acabar. Viverá para sempre em nós. Algo assim, grandioso e importante, nunca vai morrer. Por alguns anos será considerada ultrapassada e ridícula. Será mal representada e caricaturada ou, pior, ignorada. Vão rir de John Travolta, Olivia Newton-John, ternos de poliéster brancos, sapatos plataforma e disso! [gesto que Travolta faz no filme Saturday Night Fever, em que estica o braço direito para cima, apontando alto]. Não tivemos nada com essas coisas e ainda assim amamos a disco. Alguns jamais vão entender. A discoteca foi muito mais que isso. Foi muito legal e divertida para desaparecer para sempre. Vai voltar algum dia. Só espero que estejamos vivos".


As caracterizações não são o forte do filme. Os figurinos e cenários são frios e discretos, em nada lembrando os anos 1970. Mas os diálogos e conflitos dos personagens compensam. Ao que parece, a ideia do diretor não foi fazer uma reconstituição de época e sim voltar o foco para o drama dos personagens. As músicas também não obedecem a uma cronologia, mas deduz-se que a história se passe entre 1979 e 1980.

Em meu livro Made in Suécia - O paraíso pop do ABBA (Ed. Página Nova, 2008), falo brevemente sobre o surgimento e a influência da era disco na cultura de massa:
Na metade da década, o mundo da pretensão havia chegado ao rock e alguma coisa nova precisava surgir. Violento e rebelde veio o punk, que nasceu, a partir de 1976, das críticas da juventude proletária inglesa à sua própria falta de perspectivas. Sex Pistols, The Clash, Dead Kennedys, Elvis Costello: os ídolos do movimento recuperaram a batida primária e despreocupada das bandas de meados da década de 1960. Johnny Rotten, o líder do Sex Pistols, não poupava os roqueiros da época – como Elton John e Rod Stewart – que apelidara de "palhaços capitalistas".
Mas o movimento importante dos anos 1970 – e na época maldito para os roqueiros – foi mesmo o das discotecas. Na esteira do filme Os Embalos de Sábado à Noite surgiram as discotecas e a música passou a ter um só objetivo: fazer dançar. Village People, Donna Summer, Gloria Gaynor, Chic, Boney M. e Bee Gees foram alguns dos grandes nomes. E como a base do som das discotecas vinha de músicas de estúdio, as gravadoras lucravam.

Enquanto na Inglaterra o movimento punk, das roupas de couro preto e dos cabelos quase raspados contestava, com violência, os valores da sociedade do país, nos EUA pop virou sinônimo de disco music. Feita para as pistas de dança das discotecas, a disco celebrava o amor e a alegria, utilizando-se da eletrônica com maior intensidade e por vezes até ousando.
[...] A verdade é que os roqueiros odiavam e os “músicos sérios” torciam o nariz para a disco music, mas o fato é que ela foi em frente e teve grande influência sobre a música pop dos anos 70, a ponto de se tornar parte da cultura de massa [...].
Mesmo com as eventuais críticas negativas, a disco conseguiu fazer a cabeça até dos "músicos sérios". Exemplos não faltam: David Bowie e seu Station To Station, de 1976 (com Golden Years), Rod Stewart e seu álbum de 1978, Blondes Have More Fun, com o hit Da Ya Think I'm Sexy? (inspirado em Jorge Benjor!) e até o Blondie com Parallel Lines (que originou seu maior sucesso, Heart Of Glass), também de 1978.

Citei The Last Days of Disco e falei tudo isso para mostrar que não, não é pecado gostar do som discothèque. E há muita coisa boa sim, nem tudo foi lixo. É um erro tentar achar uma justificativa para o movimento disco. Não há causas políticas, nem revolucionárias, nem sociais e nem humanitárias. É puro hedonismo mesmo. Diversão descompromissada, mas nem por isso menos divertida. A fala do filme que coloquei aqui expressa muito bem isso. Portanto não se acanhem. Costumo dizer que Travolta é um estado de espírito. E espírito não tem data nem idade. Por isso, dance, dance, dance!

Abra suas asas, solte suas feras...


Há exatos 31 anos ia ao ar o último capítulo de um dos maiores fenômenos da teledramaturgia brasileira: Dancin' Days. Em 27 de janeiro de 1979 o Brasil parou para acompanhar o fim da trama de Gilberto Braga, que havia hipnotizado o país nos últimos seis meses. Escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho, entre outros, a novela foi o berço de vários astros e estrelas que definiriam a próxima década. A trama era bem simples (mais uma prova de que para uma novela fazer sucesso não são necessários enredos mirabolantes nem complexos): acusada de atropelar e matar um guarda noturno, Júlia Mattos (vivida por Sônia Braga) é condenada a 22 anos de prisão. Após cumprir metade da pena, consegue liberdade condicional.


Júlia tenta a duras penas reconstruir uma vida normal e se livrar do estigma de ex-presidiária. Seu maior desafio é reconquistar o amor da filha Marisa (Glória Pires). A menina foi criada pela irmã de Júlia, Yolanda Pratini (Joana Fomm) e seu marido Horácio (José Lewgoy), um casal conhecido da alta sociedade carioca. Mas Yolanda, com medo de perder a sobrinha, dificulta a aproximação entre mãe e filha. A rivalidade entre as duas irmãs é o tema central da trama. E também o conturbado romance entre Júlia e Cacá (Antônio Fagundes).

Entre personagens secundários que roubaram a cena, destaque para Yara Amaral e Pepita Rodrigues, que viveram as irmãs Áurea e Carminha, respectivamente.

Lídia Brondi, Lauro Corona e Glória Pires - ainda bem jovenzinhos - foram alçados à categoria de estrelas da nova geração. Sônia Braga ditou moda com suas calças de cetim estilo boxeador e meias soquete de lurex com sandálias salto agulha. Nem é preciso dizer que a novela virou coqueluche no Brasil, espalhando de vez a moda das discotecas por aqui.


Com Dancin' Days, Gilberto Braga se consagrou como autor de novelas das oito e inaugurou seu estilo dramatúrgico, marcado pela crônica de costumes e pela discussão dos valores da classe média e das elites urbanas. Detalhe: ele a escreveu sozinho. Dancin' Days mereceu até mesmo uma reportagem na revista norte-americana Newsweek, em novembro de 1978, destacando a influência que exercia sobre os hábitos de consumo do público brasileiro. O tema de abertura, das Frenéticas, é hit obrigatório das festas até hoje.


Síndrome de Estocolmo


Quando o ABBA venceu o Eurovision Song Contest em Brighton, Inglaterra, em 1974, a música pop sueca não passava de uma exótica forasteira. Naquela época ninguém poderia sequer sonhar que três décadas mais tarde haveria uma boite dedicada à música sueca em Brighton, com o nome de Sweden Made Me (algo como “A Suécia me fez” ou “A Suécia fez minha cabeça”). Na década de 1990 a música sueca ficou tão internacionalizada que muitos nem mais se preocupavam em refletir sobre suas origens.

Não só é difícil crer que artistas como The Cardigans sejam suecos, como também muitos compositores e produtores suecos haviam começado a trabalhar com artistas estrangeiros. Por meio do produtor Max Martin (Martin Sandberg) e seus colegas, mais sucessos foram gravados em Estocolmo no final dos anos 90 do que em qualquer outra cidade do mundo. A Suécia surgiu de repente como o terceiro mais importante produtor de música popular depois dos Estados Unidos e da Inglaterra. E o ABBA certamente abriu caminho para isso. Sucessos globais de Britney Spears, Backstreet Boys, N’Sync e muitos outros foram escritos e gravados na Suécia, embora a maioria dos consumidores de música pop ignorem esse fato.

Em um artigo sobre a música sueca no jornal The Guardian, de setembro de 2006, o fundador da boite, Rob Sinden, explicou por que resolveu abrir o Sweden Made Me. “Mais por causa do som desses discos do que pela língua em si”, afirmou. “É música caseira, feita no quarto. Existe toda essa coisa do ‘faça você mesmo’. Mas feito com orgulho, com satisfação verdadeira, que atrai os fãs ingleses de música indie.”

Brighton não é a única cidade da Inglaterra onde uma boite de música sueca foi aberta. Em Londres existe a Tack! Tack! Tack! e em Glasgow há outra, chamada Sounds of Swden (“Sons da Suécia”), só para dar alguns exemplos. Enquanto a cena sueca do ‘faça você mesmo’ – com artistas gravando em casa – cresceu, Estocolmo ficou famosa no século 21 por ser reconhecidamente uma fábrica de sucessos dançantes da música pop, altamente tecnológica, similar ao que foi Detroit nos anos 60. Madonna e várias outras estrelas do mundo da música foram para a Suécia gravar canções de sucesso, compostas e produzidas por suecos.

Hoje a música sueca está tão espalhada pelo mundo quanto os móveis da Ikea ou as roupas da H&M. E desde que o MySpace revolucionou a cena musical virtual, o reduzido tamanho da Suécia e sua localização geográfica deixaram de ser vistos como desvantagem. Todos viraram vizinhos. A série de TV The OC – Um estranho no paraíso, gravada na Califórnia, já usou mais de uma dúzia de músicas suecas como trilha sonora – o que revela quão internacionalizada a música sueca se tornou.

SBT e seu pacote de filmes nos anos 80


Filme antigo é um tema mais que recorrente neste blog. Acho inevitável essa nostalgia. Quando me lembro dos filmes que eram exibidos na TV, durante minha infância, na década de 1980, sinto imensa saudade e lamento que os filmes que a TV exibe atualmente sejam tão bobos e sem graça, em sua maioria. Minha nossa, o que era o Cinema em Casa, do SBT? Silvio Santos tinha meia dúzia de filmes que reprisava incessantemente. À noite os filmes eram exibidos depois do programa da Hebe, do A Praça é Nossa ou do Viva a Noite (do Gugu). Quem era criança nos anos 1980 seguramente se lembra de ter assistido, no SBT, praticamente todo mês, filmes como Bem Vindo ao Lar Bobby, Um Lobisomen Americano em Londres, O Exorcista, Férias do Barulho, O Segredo de Kate, A Coisa e alguns outros. A Globo também tinha suas pequenas obras-primas, mas como o SBT reprisava demais os filmes, é impossível ter passado por aquela década sem tê-los visto. (Deixarei a Sessão da Tarde, da Globo, para um outro post). Então, para os órfãos do Cinema em Casa do SBT, fiz uma lista com uma pequena descrição de cada um. Vale lembrar que é quase impossível conseguir a maioria desses filmes em DVD aqui no Brasil. Muitos deles eram produções baratas, feitas para a TV americana. Alguns não chegaram a ser lançados nem em vídeo. Mas é claro, com a Internet e o Google hoje em dia, pode-se ter acesso a praticamente qualquer coisa.


O Segredo de Kate (Kate's Secret, 1986): Este drama feito para a TV americana marcou época. A personagem-título (vivida pela rainha dos filmes para a TV, Meredith Baxter) é uma bela dona de casa casada com um bem-sucedido advogado. Ela tem o que se poderia chamar de uma "vida perfeita", mas esconde sua bulimia e sua compulsão pela prática de exercícios físicos. Várias cenas marcantes, entre elas as cenas em que Kate entra no supermercado, come diversos produtos e depois sai para vomitar. (Bons tempos quando os superm ercados não tinham vigilância e nem os produtos tinham código de barras! Kate atacava as guloseimas e comia horrores).



Bem Vindo ao Lar, Bobby (Welcome Home, Bobby, 1986): Mais um polêmico filme feito para a TV. O universitário Bobby é preso em uma área gay, com drogas, e é preso. As investigações revelam que ele manteve relações com um homem mais velho. Daí em diante sua vida vira um inferno, pois os colegas de faculdade passam a hostilizá-lo e querem sua expulsão, causando constrangimento à sua família. Apesar de sentir o "amor que não ousa dizer seu nome", Bobby é um ótimo estudante e apesar de ser rejeitado pelo pai severo, conta com o apoio da mãe, que luta para reintegrá-lo à vida social.



Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981): Este já adquiriu o status de cult hoje em dia. Dois estudantes americanos são atacados por um lobisomem durante uma viagem a Londres. Um morre, e o outro (vivido pela então promessa de jovem galã americano David Naughton) recebe a maldição da fera. Efeitos especiais muito bons para a época. Deixava qualquer criancinha de cabelo em pé.



A Coisa (The Stuff, 1985): Clássico absoluto da fase inicial do SBT, repetido à exaustão. Não há quem não tenha visto. Uma substância branca e gosmenta é encontrada nos cafundós dos EUA. Parecida com um iogurte, ou um sorvete, ou marshmallow e ainda por cima com um sabor delicioso e atrativo, a substância vira febre mundial e passa a ser vendida nos supermercados como uma sobremesa de luxo, com muita divulgação. Um espião industrial é contratado para descobrir qual a fórmula da substância misteriosa. E quando finalmente consegue, choque: a substância emana da terra, faz com que todo mundo que a coma seja devorado ou transformado em zumbi. Argh! Efeitos especiais (?) canhestros, mais para o humor negro do que para o terror. Imperdível.



Fuga de Nova York (Escape from New York, 1981): Ficção científica com Kurt Russell. A história se passa em 1997, em Nova York. A cidade se tornou uma prisão de segurança máxima, onde estão os piores criminosos. Fugir é impossível e entrar é loucura, mas quando o avião do Presidente cai em Manhattan, um condenado e ex-herói de guerra (Kurt Russell) fica incumbido de resgatá-lo. Em troca é oferecida a ele a liberdade. Quanta imaginação! Já estamos em 2010 e Nova York ainda não se parece nem de longe com a cidade do filme.



Turf Turf, o Rebelde (Turf Turf, 1985): Esse é do tempo em que James Spader não passava de um jovem galã iniciante. Prestes a terminar o terceiro ano do segundo grau, seu personagem se vê obrigado a mudar de estilo de vida e passa a freqüentar os subúrbios da cidade onde vive, ao invés do clube de garotos ricos. Ele já tem um histórico de problemas e é conhecido por seu temperamento esquentado. Na nova escola, ele acaba se envolvendo com a namorada do líder da gangue. Visto hoje tudo parece tão ingênuo! Mas na época até que causava um efeito. Detalhe: Robert Downey Jr., que também está no filme, ainda era um completo desconhecido.



Juventude Perdida (The New Kids, 1984): Do mesmo diretor de Sexta-Feira 13. Após a morte dos pais em um acidente de carro, uma bela adolescente e seu irmão são obrigados a viver na casa de parentes distantes no interior da Flórida. Quem não gosta nada dos novos moradores é o líder de uma gangue de jovens delinqüentes que, ao ser rejeitado, resolve transformar a vida do casal de irmãos em um verdadeiro inferno. Haja originalidade...



Angel (Angel, 1984): A adolescente Molly, de 15 anos, é a melhor aluna de sua classe. Mas o que ninguém nem desconfia é de como a garota-exemplo do colégio ganha seu dinheiro: como prostituta à noite, sob o nome de "Angel". A aparentemente perfeita organização de sua vida dupla se desfaz quando duas de suas 'colegas' de trabalho são mortas por um serial killer. Angel é a única testemunha e se torna alvo do maníaco. "Aluna de honra durante o dia, prostituta de Hollywood durante a noite". Não há amante de filmes de segunda que resista a este.



Férias do Barulho (Private Resort, 1985): Outro clássico indefectível do SBT. O até então desconhecido garoto Johnny Depp vive um adolescente que vai passar alguns dias num resort com seu amigo. O que eles querem é sexo e garotas (a tônica das comédias jovens dos anos 80) e para conseguir, se metem em confusões e baixarias. E a bagunça aumenta quando cruzam com um ladrão de jóias que está no mesmo hotel, e que se veste de mulher para fugir da polícia enquanto rouba hóspedes. Recheado de cenas de seminudez. É uma espécie de "pornochanchada americana", só que com roteiro.



A Incrível Mulher Que Encolheu (The Incredible Shrinking Woman, 1981): "Ela começou a encolher por não ser notada por ninguém? Ela começou a encolher porque seu papel de dona de casa era inferiorizante?" Um dos meus favoritos! Lily Tomlin vive uma dona de casa americana que começa a ser afetada por produtos de limpeza, de cozinha e cosméticos. Ela vai encolhendo gradativamente até ficar menor que uma boneca. O marido, executivo de uma agência de publicidade, tem boa parte da culpa no encolhimento da mulher. O filme é uma espécie de remake de um clássico dos filmes B dos anos 50, O Incrível Homem que Encolheu. Mas não funcionou. A crítica caiu matando, claro. Mas foi um dos que mais curti na infância (em parte por adorar Lily Tomlin).


Big Brother Brasil parte 10 - A (eterna) missão


Longe de mim condenar os inúmeros fãs do Big Brother Brasil, até porque nas duas ou três primeiras edições eu estava entre eles - aqueles que votavam, vibravam, assistiam. Mas tomei uma birra danada, como se diz. Hoje não tenho a menor paciência, acho de uma chatice sem tamanho. É a repetição da repetição, tudo previsível demais, os mesmos estereótipos, os mesmos clichês, os mesmos corpinhos sarados prontos para pularem direto para as capas da Sexy, da G Magazine ou da Playboy. E depois desaparecem para todo o sempre, que é o destino de 99% dos participantes. Como a tortura já recomeçou, tenho que aturar diariamente na TV e na Internet, sem parar, os flashes, comentários, especulações e atualizações sobre o programa. É quase impossível não saber o que se passa no BBB, mesmo que você não assista, como é o meu caso. Mas fãs do programa, não me joguem na fogueira. Só estou expressando meu tédio diante de tanta repetição. Cada um sabe a alegria e a dor de ser o que é... Lembrei-me de uma crônica do Manoel Carlos publicada em seu livro A arte de reviver, da Ediouro, lançado em 2006. Transcrevo aqui uma pequena parte que traduz bem o que sinto:


Já bem tarde, alguém ligou a TV e entraram as imagens do programa Big Brother Brasil. Camilo perguntou sem ironia:


- Esse programa ainda existe?


- Claro! Tem uma audiência enorme - informou alguém.


- O brasileiro, antes de ser um cidadão, um nome, uma personalidade, é um telespectador - definiu Camilo.


O Chico emendou:


- Até hoje não entendi direito o que toda essa gente ganha estando aí, como num aquário. Alguém sai com um milhão de reais, tudo bem, mas e os outros?


- Tenho uma amiga que está dura, cheia de problemas, devendo dois meses de aluguel, e no entanto para para assistir o BBB a noite toda, através da TV - comentou Marisa, até então calada.


Camilo foi definitivo:


- As pessoas não aspiram mais a um trabalho, mas a uma projeção. Não querem ser respeitadas, mas invejadas. Não buscam o aplauso, mas o oba-oba! É a celebração da mediocridade. Acho que gente assim precisa de atendimento.

Happy new (?) year


Olá a todos os meus leitores (hello! tem alguém aí? alguma vez houve alguém aí?). Pois muito que bem, eu estou de volta com meu humilde blog, há tanto tempo empoeirando. Apesar de achar meio pretensioso usar o próprio nome para batizar um blog. A menos que você seja Bill Gates, Barak Obama ou Gisele Bündchen. Mas no meu caso foi simples falta de imaginação mesmo. O que importa é que voltarei com meus posts. Às vezes tratando de assuntos sérios e temas sensíveis, outras apenas tratando das boas e velhas frivolidades e superficialidades. (E como disse Oscar Wilde, "nada mais essencial que o supérfluo").


E para não dizer que não desejei feliz Ano Novo, aqui vai um poeminha de Carlos Drummond de Andrade para saudar 2010 (embora tenha sido publicado no Jornal do Brasil em 22 de dezembro de 1979):



A Máquina do Tempo

Se a máquina do tempo nos tritura,
ao mesmo tempo cria imagens novas.
Renascemos em cada criatura
que nos traz do Infinito as boas novas.